quarta-feira, 21 de março de 2012

Sonambulismo


          É um fenômeno classificado como transtorno comportamental do sono (parassonia) durante o qual a pessoa pode desenvolver habilidades motoras simples ou complexas. Essas atividades podem ser tão inofensivas quanto sentar na cama, ir ao banheiro e fazer limpeza, ou perigosas como cozinhar, dirigir ou gesticular violentamente. Outras atividades que podem ser realizadas durante o sonambulismo incluem gemer, falar, gesticular e agarrar objetos aparentemente frutos de alucinação.

           O sonambulismo é desencadeado em pessoas que possuem as ondas cerebrais emitidas pela ponte cerebral com característica irregular, o que as impede de inibir as funções motoras do organismo, fazendo com que essa permaneça ativada mesmo com o consciente dormindo. Difere do pesadelo, onde o hipotálamo e o córtex cerebral tem um papel mais importante.

           Durante a noite o indivíduo atravessa vários estágios do sono, podendo ir do estágio inicial com ondas alfa e tetas até um sono mais profundo, com ondas deltas vistas em eletroencefalograma durante o sono. Nesse período o indivíduo não sabe o que está fazendo, de forma que ao acordar não se recorda de nada, pois inconsciente fica em repouso. As crises costumam ocorrer na primeira metade da noite, na primeira das seis passagens de um sono profundo para um mais superficial, em uma fase do sono conhecida como Movimento Rápido do Olho (REM, em inglês), podendo durar de instantes a 40 minutos. Nesta fase, as funções motoras despertam, mas a consciência continua a dormir.

            Mesmo não estando acordada de verdade, a pessoa pode começar a andar e a falar. Normalmente, passa a se mexer durante o sono, senta-se na cama, levanta-se e sai andando, ainda dormindo. As crises podem ser acompanhadas também de gritos, violência a familiares e riscos de acidentes, embora as variações mais comuns sejam a perambulação e prática de movimentos repetitivos. É necessário o cuidado para prevenção de acidentes com o sonâmbulo, principalmente devido a sua percepção parcial do ambiente. Sem o consentimento do cérebro, o indivíduo não faz nada muito complexo, mas é capaz de abrir portas e janelas, por exemplo. Isto é, o sonâmbulo se movimenta, mas não sabe o que está acontecendo.



   

            A duração do estado sonâmbulo é variável, desde poucos segundos até vários minutos e pode ainda terminar de forma espontânea ou interrompida, quando alguém acorda o sonâmbulo.

            O Sonambulismo ocorre em aproximadamente 20% das crianças de 3 a 10 anos, em média de uma vez por ano, e depois tende a desaparecer sem deixar vestígios. É provocado por uma arritmia cerebral e tende a ocorrer em membros da mesma família. O percentual de incidência de sonambulismo infantil aumenta em 45% se um dos pais já foi sonâmbulo, e em 60% caso ambos os pais já tenham tido sonambulismo.


  

             Quando o sonambulismo se manifesta na fase adulta ou após os 14 anos, o distúrbio se caracteriza como patológico, podendo ser desencadeado por fatores clínicos ou psíquicos, febre, privação de sono ou uso de alguns medicamentos.

             A incidência de distúrbios como o sonambulismo na vida adulta são relacionados, em sua maioria, a fatores externos como o estresse e preocupações. Mas quando os casos tornam-se repetitivos é necessária uma análise psicológica pela possibilidade de relação com fatores comportamentais psíquicos. Outros distúrbios, além das tensões, podem desencadear o quadro de sonambulismo. Apnéia do sono (respiração fraca durante o sono), refluxos gastresofagianos, esquizofrenia, dores de cabeça noturnas, além de variações de epilepsia, podem conduzir ao sonambulismo.

             O tratamento pode ser feito com um neurologista, a base de remédios que provoquem relaxamento durante o sono, como calmantes. Em alguns casos refratários ou que envolvem perigo ao paciente pode ser usado medicamentos antidepressivos. Em caso de fatores psicológicos serem o desencadeador do distúrbio, um acompanhamento psicoterapêutico se faz necessário. O tratamento começa a partir da prevenção com a chamada “higienização do sono”, que consiste nos seguintes cuidados:
1.Evitar dormir pouco, estabelecer horários fixos para dormir/acordar e fugir do estresse.
2.Manter o quarto arejado durante o dia, escuro à noite, sem umidade, sem ruído excessivo e limpo.
3. Evitar bebidas alcoólicas e cafeinadas.
4. Evitar luz intensa à noite, pois estimula o alerta e afasta o sono. Entretanto a exposição à luz da manhã pode ajudar a regular o início do sono à noite.
5. Fazer refeições leves (não vá dormir com fome ou após ter comido muito).
6. Praticar exercícios físicos diariamente, mas evite-os perto da hora de dormir.
7. Não cochilar durante o dia (exceto pessoas idosas que podem ser aconselhadas a ter um cochilo à tarde).
8. Evitar atividades como TV, internet e leitura antes de dormir, pois elas estimulam o alerta.
9. Evitar banhos quentes, mas banhos mornos podem ajudar.
10. Evitar ler, assistir TV e comer na cama. Use-a essencialm


       
             Se uma rotina de sono adequada e uma boa qualidade de vida não resolverem a questão e o paciente estiver sentindo seu dia a dia ser muito prejudicado por causa do distúrbio, um tratamento terapêutico medicamentoso pode ser adotado.

             Para o sonambulismo infantil, normalmente não são recomendáveis tratamentos à base de medicamentos. O ideal é que os pais tomem cuidado com a criança e com o ambiente em que ela pode circular durante a noite para garantir sua segurança, pois é uma fase em que a criança vive e passa rapidamente.
             Ao presenciar uma crise de sonambulismo, a primeira atitude que deve ser tomada, como sempre, é manter a calma. Em seguida, tente conduzir o indivíduo de volta para a cama, para que ele durma tranquilamente novamente. Tente não acordar o sonâmbulo, mas se isso acontecer durante a tentativa de levá-lo para o quarto, não se desespere. É mito a história de que pode morrer quem anda dormindo e é acordado. O máximo que pode acontecer é a pessoa ficar um pouco agitada e irritada, já que não vai entender imediatamente o que está acontecendo.


Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

segunda-feira, 19 de março de 2012

Síndrome das Pernas Inquietas


         É um distúrbio neurológico do sono que afeta cerca de 15% da população adulta, caracterizado por alterações da sensibilidade e agitação motora involuntária dos membros inferiores, principalmente quando se está de repouso  (podendo acometer também os superiores nos casos mais graves). Manifesta-se em qualquer faixa de idade, sendo mais rara na infância. Atinge principalmente a população adulta e aumenta com o envelhecimento.

Nesta síndrome há uma necessidade incontrolável de mover as pernas, como se estivesse com queimação, formigamento, arrepios, coceira ou dores. Quando as pernas são movimentadas  há um alívio desta sensação ruim. A intensidade pode variar de leve a grave e diminui com o movimento.

           Neste video podemos perceber como acontece a Sindrome das Pernas Inquietas

Em geral, os sintomas pioram a noite, especialmente quando o individuo se deita, e impedindo assim, um sono reparador. Muitas vezes a pessoa passa a ficar muito tempo movimentando as pernas para aliviar o desconforto e com isto tem o sono prejudicado, alem de ter sua qualidade de vida reduzida devido ao cansaço e sonolência que ocorre durante o dia, aumentando irritabilidade, inabilidade para lidar com o estresse, depressão, dificuldade para concentração e memória. Por causa da urgência em movimentar as pernas, longas viagens e atividades de lazer são quase impossíveis.

A inquietação provocada por esta doença pode ser mal interpretada como nervosismo, pois movimentos dos pés, dedos e pernas são vistos quando o indivíduo está sentado ou deitado.

Há dois tipos de síndrome das pernas inquietas:
- Síndrome das pernas inquietas primária: é a mais comum, também chamada de síndrome das pernas inquietas idiopática. Uma vez que aparece, geralmente torna-se uma condição para toda a vida. Com o passar do tempo os sintomas tendem a piorar e ocorrem mais freqüentemente, especialmente se tiver início quando a pessoa é jovem. Em casos leves, pode haver grandes períodos sem sintomas, ou os sintomas podem durar um tempo limitado.
No caso deste tipo de SPI, a causa não pode ser encontrada. Porém, estudos comprovam que tende a acontecer em membros da mesma família, o que indica que há um componente genético na probabilidade de sofrer dessa condição.

- Síndrome das pernas inquietas secundária: é causada por outra doença  e algumas vezes por certos medicamentos entre eles anti-depressivos e anti-psicoticos. Os sintomas geralmente desaparecem quando há melhora da doença ou condição médica, ou quando pára de tomar o medicamento que causou a doença. Algumas doenças e condições médicas que podem predispor  a SPI secundária são:
* Deficiência de ferro, com ou sem anemia;
* Insuficiência Renal;
* Diabetes;
* Mal de Parkinson;
* Danos ao nervos das mãos ou pés;
* Artrite reumatóide;
* Gravidez.

Sabe-se que, além da predisposição genética, a deficiência de dopamina e de ferro em áreas motoras do cérebro está associada à ocorrência de movimentos involuntários e repetitivos característicos da síndrome.

O diagnóstico da Síndrome das Pernas Inquietas é predominantemente clínico, fundamentado no histórico do paciente e também na descrição dos sintomas. Embora raramente essa síndrome tenha como causa uma polineuropatia, é indispensável avaliar os reflexos, a sensibilidade ao toque e a intensidade da dor. Não há exames laboratoriais que confirmem o diagnóstico, mas estes podem ser feitos para afastar outras doenças do sono. O exame de sangue (dosagem de ferritina, ferro sérico e transferrina) é necessário para medir a deficiência de ferro.

O tratamento estabelecido para esta doença tem como objetivo aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, balanceando riscos e benefícios. Por exemplo, se uma deficiência de ferro for detectada, utiliza-se suplemento de ferro, vitamina B12, que pode ser suficiente para acabar com os sintomas. Como o uso de certas substâncias em quantias inadequadas pode causar intoxicação, recomenda-se a avaliação, prescrição e acompanhamento médico para a utilização da suplementação de ferro. Quase 25% dos pacientes com SPI têm seus sintomas causados ou agravados, pela utilização de outros medicamentos. Essas drogas incluem bloqueadores do canal de cálcio (usados para tratar pressão alta e problemas do coração), medicamentos anti-náusea, alguns medicamentos para gripes e alergias, tranqüilizantes, fenitoína e medicamentos utilizados para tratar depressão. O tipo de vida também interfere, certos hábitos e costumes podem piorar os sintomas de SPI. É aconselhado encontrar o melhor horário para dormir e acordar e manter este horário todos os dias, dormindo o mesmo número de horas, pois a fadiga e sonolência tendem a piorar os sintomas. Exercícios físicos moderados são recomendados até seis horas antes do horário de dormir. Para algumas pessoas, ao contrário, exercícios físicos logo antes de dormir são benéficos.

Uma dieta balanceada pode ser importante para diminuir a gravidade da doença. Tome cuidado com a cafeína, pois esta aparentemente melhora os sintomas, mas na verdade os intensifica e os atrasa para mais tarde da noite. A melhor solução é evitar todos os produtos com cafeína: café, chá mate, chá preto, refrigerantes, chocolate e alguns medicamentos. O consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo aumentam a intensidade dos sintomas, é importante evitá-los também.

Certas atividades físicas como banho quente, massagens, técnicas de relaxamento, trabalhos manuais, alguma outra atividade que mantenha a mente ocupada, podem ser benéficas, mas dependem da gravidade dos sintomas de cada pessoa. Algumas pessoas não conseguem encontrar alívio com qualquer atividade e precisam de medicamentos. Não há um medicamento aprovado especialmente para o tratamento da SPI, mas alguns outros aprovados para outras doenças são utilizados: agonistas dopaminérgicos, sedativos, medicações para dor e anticonvulsivantes. Cada droga tem seus benefícios, limitações e efeitos colaterais. A escolha da medicação depende da gravidade dos sintomas.

Algumas Recomendações:
* Criança inquieta na hora de dormir, que chora, resmunga e mexe muito as pernas, pode não estar fazendo manha. Leve-a ao pediatra para afastar a possibilidade de ter desenvolvido os sintomas da síndrome das pernas inquietas;
* Da mesma forma, aja com os idosos. Não atribua a agitação e as queixas à perda das faculdades mentais. Sedá-los pode piorar muito o quadro, se o problema for a síndrome das pernas inquietas;
* O agravamento dos sintomas pode tornar insuportável a vida do portador da síndrome e da pessoa com quem divide a cama ou o quarto. Só o tratamento adequado é capaz de controlar as crises e aliviar os sintomas que, na maior parte das vezes, pioram à noite. Não se automedique; procure assistência médica especializada;
* O consumo de cafeína, álcool e cigarro é absolutamente desaconselhado. Faça um esforço e tente excluí-los do seu dia a dia;
* Medicamentos antidepressivos e neurolépticos podem desencadear uma síndrome semelhante à das pernas inquietas. Esteja atento.


Entrevista feita com o Dr. Aramis Pedro Teixeira, sobre a Sindrome das Pernas Inquietas


Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião

Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

sexta-feira, 9 de março de 2012

Depressão


                Doença considerada o "Mal do Século" e que atormenta mais de 120 milhões de pessoas em todo o mundo. É um transtorno psiquiátrico muito comum que afeta pessoas de todas as idades. A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida. Ela afeta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas. Não é como o humor "triste", que afeta a maioria das pessoas regulamente, pois se trata de uma condição duradoura (a maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos 2 semanas), de maior intensidade ou mesmo por uma tristeza de qualidade diferente da tristeza habitual, acompanhada de vários sintomas específicos e que trazem prejuízo à vida da pessoa. Ou seja, depressão não é tristeza, é uma doença que precisa de tratamento.


                Aproximadamente 15 a 20% da população mundial, em algum momento da vida, já sofreu de depressão. Esta patologia é mais comum em pessoas com idade entre 24 e 44 anos. Dependendo do motivo pode ser dada a crianças e adolescentes como separação dos pais, problemas na escola, sexualidade, rejeição e principalmente Bullying.




                Os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal como dores e enjôos. Caracteriza-se principalmente por:
- Perda de prazer nas atividades diárias (anedonia);
- Apatia;
- Alterações cognitivas (diminuição da capacidade de raciocinar adequadamente, de se - concentrar ou/e de tomar decisões);
- Alterações psicomotoras (lentidão, fadiga e sensação de fraqueza);
- Alterações do sono (mais frequentemente insônia, podendo ocorrer também hipersonolência);
- Alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite);
- Redução do interesse sexual;
- Retraimento social;
- Ideação suicida;
- Prejuízo funcional significativo (como faltar muito ao trabalho ou piorar o desempenho escolar).


                Há também alguns sintomas corporais como sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça e dificuldades digestivas.


                Para afirmarmos que o paciente está deprimido temos que afirmar que ele sente-se triste a maior parte do dia quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse pelas atividades que apreciava, não consegue ficar parado e pelo contrário movimenta-se mais lentamente que o habitual. Passa a ter sentimentos inapropriados de desesperança desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou pelo problema dos outros, sentindo-se um peso morto na família. Com isso, apesar de ser uma doença potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio. Esse quadro deve durar pelo menos duas semanas para que possamos dizer que o paciente está deprimido.


                A depressão pode ser causada pelos seguintes fatores: genética, alimentação, stress, estilo de vida, separação dos pais, rejeição, problemas na escola e outros fatores estão relacionados com o surgimento ou agravamento da doença. Mas também é associada a um desequilíbrio em certas substâncias químicas no cérebro, nos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. 
Tem grande relação entre certos acontecimentos estressantes na vida das pessoas e o início de um episódio depressivo. Contudo tais eventos não podem ser responsabilizados pela manutenção da depressão. Os eventos estressantes provavelmente disparam a depressão nas pessoas predispostas, vulneráveis. Exemplos de eventos estressantes são perda de pessoa querida, perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, pequenas contrariedades não são consideradas como eventos fortes o suficiente para desencadear depressão.

 

                Existem depressões monopolares e bipolares. O transtorno afetivo bipolar se caracteriza pela alternância de fases deprimidas com maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. A depressão monopolar só tem fases depressivas. Entre os tipos de depressão estão:

- Episódio ou fase depressiva e transtorno depressivo recorrente: Os sintomas depressivos (tristeza, choro fácil e/ou frequente, apatia, sentimento de falta de sentimento, sentimento de tédio, irritabilidade aumentada, desespero, desesperança, culpabilidade, transtorno de sono e apetite) devem estar presentes em pelo menos duas semanas, e não mais do que dois anos, sem interrupção. Os episódios, geralmente, têm duração média de seis meses e variam no minimo de três e máximo de 12 meses. Pode ser classificado de acordo com a intensidade [leve, moderado, grave] e com a importância clínica dos sintomas. Quando o paciente apresenta vários episódios depressivos, com ausência de episódios maníacos, disgnostica-se, portanto, transtorno depressivo recorrente.

- Distimia: Considerada uma depressão crônica, de intensidade leve na maioria das vezes mas, com longos períodos de duração, sem interrupção e por no mínimo dois anos. Os sintomas mais comuns são diminuição da auto-estima, dificuldade em tomar decisões ou de concentração, mau humor crônico, irritabilidade.

- Depressão Atípica: Além dos sintomas depressivos comuns, são somados aumento de apetite (doces), hipersonia (aumento em média de duas horas a mais do que o normal), sensação de corpo pesado, humor alterado (vai de um extremo ao outro com muita facilidade).

- Depressão Tipo Melancólica: É um tipo de depressão que está mais associada a fatores neurológicos, cujos principais sintomas envolve uma tristeza sentida no corpo, falta de interesse, lentidão psicomotora, ideação de culpa e a intensidade da depressão diminui conforme o passar do dia.

- Depressão Psicótica: É um tipo de depressão grave em que um ou mais sintomas psicóticos estão associados como delírios de culpa e alucinações com conteúdos depressivos.

- Depressão Pós-Parto: A Depressão Pós-Parto, geralmente, tem início algumas semanas após o parto, com sintomas gerais de depressão, sem grandes variações, podendo incluir variações intensas de humor e de preocupações com o bebê que pode ser exagerada ou até mesmo delirante. Esse tipo de depressão pode estar associada à características psicóticas, cujo maior fator associado é o infanticído, no qual a mãe tem alucinações e recebe comandos para matar o bebê ou delírios de que este tenha algo de ruim que justifique sua morte.
Geralmente, mulheres com depressão pós-parto desenvolvem ansiedade grave e ataques de pânico. Suas atitudes em relação ao bebê podem variar desde excesso de cuidado, a ponto de não deixar o bebê um segundo sequer, ao desinteresse completo, deixando de amamentar e/ou cuidar da higiene da criança.


É importante ressaltar que a depressão pós-parto não está associada àquela tristeza inicial, em que a mãe se deprime nos primeiros 10 dias após o parto, pois é uma tristeza passageira e não afeta os comportamentos da mãe em relação ao cuidado do bebê, nem sua noção de realidade.O pós-parto é um período extremamente importante, tanto na vida da mãe, quanto do bebê, em que alterações biológicas (tanto na estrutura do corpo da mulher, como nos hormônios e neutrotransmissões associados), psicológicas e sociais são delicadas e devem ser acompanhadas e apoiadas por familiares, amigos, pelos médicos responsáveis pela saúde da mãe e do bebê.

- Esturpor Depressivo: Nesse tipo grave de depressão, o paciente pode permanecer dias acamado, sem querer se movimentar, não quer falar com pessoas ou fazer qualquer atividade cotidiana, não tem vontade de se alimentar, e em casos mais complexos não consegue nem controlar a evacuação de urina ou fezes, o que pode gerar agravos clínicos e evoluir à óbito.

- Depressão Agitada ou Ansiosa: Possui grande agitação psicomotora com queixas de angústia intensa que se soma aos sintomas depressivos, aumentando a possibilidade de suicídio.

- Depressão Secundária: É um tipo de depressão que está associada a outro quadro clínico como fator agravante, como hipo/hipertireoidismo, doença de Parkinson, acidentes vasculares cerebrais (AVC).


                O tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso, com antidepressivos que regulam a química cerebral. Ao contrário do que alguns temem, essas medicações não são como drogas, que deixam a pessoa eufórica e provocam vício. A terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente. Alguns pacientes precisam de tratamento de manutenção ou preventivo, que pode levar anos ou a vida inteira, para evitar o aparecimento de novos episódios. A psicoterapia ajuda o pacientes, pois auxilia na reestruturação psicológica do indivíduo, além de aumentar a sua compreensão sobre o processo de depressão e na resolução de conflitos, o que diminui o impacto provocado pelo estresse.

                Ás vezes a medicação precisa de ajustes, ou tem um efeito colateral incômodo. Por isso é importante a visita periódica para a avaliação médica e o ajuste ou troca do medicamento. Os antidepressivos demoram de duas a quatro semanas para atuar efetivamente na doença. Uma vez restaurada a química cerebral a depressão tende a melhorar e fica mais fácil erguer a cabeça e tomar uma atitude perante a vida. 

                Vale lembrar que a complementação ao tratamento com atividades esportivas aeróbicas também são recomendadas.

                Além de tudo, é fundamental a força de vontade do paciente de correr atrás dos seus sonhos (objetivos), o auxílio da família, dos amigos e de um grupo de ajuda. Quanto mais amparado o paciente estiver, melhor será o processo de cura.








                                     Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
                                       Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
                                 (45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

terça-feira, 6 de março de 2012

Primeiros Socorros – Afogamento



            Afogamento é a asfixia gerada por aspiração de líquido de qualquer natureza que venha a inundar o aparelho respiratório. Há uma suspensão da troca ideal de oxigênio e gás carbônico pelo organismo.
Afogar-se não é risco exclusivo dos que não sabem nadar. Muitas vezes até um bom nadador se vê em apuros por algum problema imprevisto: uma cãibra, um mau jeito, uma onda mais forte. Outras vezes a causa é mesmo a imprudência de quem se lança na água sem saber nadar.
Em caso de afogamento pode haver hipotermia (baixa temperature corporal), náuseas, vômito, distensão abdominal, tremores, cefaléia (dor de cabeça), mal estar, cansaço e dores musculares. Em casos especiais pode haver parada respiratória, ou ainda, uma parada cárdio-respiratória.
É importante que ao avistar um caso de afogamento seja chamado o guarda-vidas. Isto pode ser feito até por telefone ligando gratuitamente 193, e informando o local e o que está acontecendo. Caso não haja tempo para aguardar o socorro, procure alguém na praia ou próximo que possa ter experiência com o mar. Um surfista, por exemplo.

Nunca se aproxime da vítima, pois ela irá agarrá-lo e poderá afogar os dois. Lembre-se que o desespero dele pela própria salvação pode levá-lo junto ao afogamento, portanto não arrisque sua vida. Procure atirar algum material de flutuação para que a vítima tenha tempo de aguardar a chegada do guarda-vidas. Uma bóia, uma prancha, caixa de isopor, etc. Não esqueça de ter sempre calma e além disso pedir calma ao afogado também. Ao entregar o material de flutuação para o afogado acalme a situação, conversando com o afogado e peça a ele que não lute contra a correnteza e que se deixe levar para o alto mar que logo virá o socorro solicitado.

Sempre que tiver dúvidas não hesite em pedir ou procurar ajuda do profissional guarda-vidas. Ao chegar em terra firme, inicie os primeiros socorros imediatamente:

- Acalme a vítima, faça-a repousar e aqueça-a através da substituição das roupas molhadas e fornecimento de roupas secas, casacos, cobertores.
- Mantenha a vítima deitada em decúbito dorsal procedendo com a lateralização da cabeça ou até da própria vítima afim de que não ocorra aspiração de líquidos.
- Caso o afogado inconsciente seja deixado sozinho, ele deve ser colocado na posição de recuperação que mantêm o corpo apoiado em posição segura e confortável, além de impedir que a língua bloqueie a garganta e facilitar a saída de líquidos.
            Em alguns casos além destes procedimentos, é necessário:
- Fazer a desobstrução das vias aéreas através da extensão do pescoço , da retirada do corpo estranho e da tração mandibular atentando sempre para a possibilidade de trauma cervical.
- Em vítimas com parada respiratória, proceder com a respiração boca-a-boca objetivando manter a oxigenação cerebral.
- Em vítimas com Parada Cardiorrespiratória, efetuar a Reanimação Cárdio Pulmonar, em casos que o tempo de submersão seja desconhecido ou inferior a uma hora.


              Respiração Artificial Boca-a-Boca                           Reanimação Cardio Pulmonar

Após serem executados estes procedimentos, avalie então se há necessidade de chamar os guarda-vidas e aguarde o socorro chegar.


                              Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
                                Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
                         (45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Primeiros socorros – Queimaduras



           Queimaduras são os acidentes domésticos mais comuns. Caracterizam-se como lesões dos tecidos da pele ocasionadas pela ação curta ou prolongada do calor, radiação, produtos químicos , eletricidade, ou certos animais e vegetais, que causam dores fortes e podem levar a infecções. De um modo geral, para cada 100 doentes queimados, três (3) morrem em decorrência das queimaduras.

           A consequência mais grave das queimaduras é a porcentagem da área do corpo atingida, pois quando ultrapassa 40%, pode provocar a morte. Acima de 70%, as chances de sobreviver são mínimas!

           As queimaduras, com muita freqüência, atingem estruturas além da pele. Podem ser atingidos músculos, ossos, nervos e vasos sangüíneos e ainda os olhos e as vias aéreas. As queimaduras podem ser classificadas e avaliadas em sua gravidade de acordo com:
- Agente causador;
- Profundidade (camadas de pele que atinge);
- Extensão (área corpórea atingida);


            De acordo com o agente causador, a queimadura pode ser:
- Térmica: causada por chamas, calor do fogo, vapor, líquidos quentes, objetos aquecidos.
- Química: causada por ácidos ou bases.
- Elétrica: causada por correntes alternadas, contínuas ou raios.
- Pela luz (atinge principalmente os olhos): causada por luz intensa ou luz ultravioleta (inclusive luz solar).
- Por radiação: causada por radiações nucleares, luz ultravioleta ou infravermelha.
            Já de acordo com a profundidade:
- Primeiro Grau: Atinge somente a epiderme (camada mais superficial da pele). Caracteriza-se pela vermelhidão, certo inchaço e dor local. É considerada queimadura leve, e pede socorro médico apenas quando atinge grande extensão do corpo.
- Segundo Grau: Já não é superficial, epiderme e derme são atingidas. Há dor intensa, inchaço, vermelhidão, bolhas e liberação de líquido. Se for um ferimento pequeno, é considerada queimadura leve. Nos outros casos, já é de gravidade moderada. É grave quando atinge rosto, pescoço, tórax, mãos, pés, virilha e articulações, ou uma área muito extensa do corpo.
- Terceiro Grau: Considerada grave, pois atinge todas as camadas da pele, podendo chegar aos músculos e até mesmo aos ossos. Como os nervos são destruídos, não há dor - mas a vítima pode reclamar de dor devido a outras quimaduras, de primeiro e segundo grau, que tiver. A aparência deste tipo de ferimento é escura (carbonizada, pois há necrose dos tecidos) ou esbranquiçada.
- Quarto Grau: Carbonização total, há perda total da estrutura e da função morfológica.

* Vale lembrar que uma lesão não é uniforme, podendo ocorrer vários graus de profundidade em uma mesma lesão.
            As queimaduras também podem ser classificadas em relação à extensão da área corpórea atingida e seu risco:
- Baixo: menos de 15% da superfície corporal atingida.
- Médio: entre 15 e menos de 30% da pele coberta.
- Grave: mais de 30% do corpo queimado.

            Quanto maior a extensão, maiores os riscos para a vítima, pois pode haver perda excessiva de líquidos do corpo, perda de temperatura e alto risco de infecções.
           Baseados nestas informações e no local da queimadura, podemos dizer que:
- Queimaduras Leves: são aquelas de 1º e 2º graus, afetando pequenas extensões do corpo e que correspondem à maioria absoluta dos acidentes desse tipo.
- Queimaduras moderadas: são aquelas de 1º grau extensas e de 2º grau de média extensão.
- Queimaduras Graves: são todas as de 3º grau e as de 2º grau que envolvem face, pescoço, tórax, mãos, pés, virilha e articulações, além das queimaduras extensas de 2º grau. As queimaduras químicas e por eletricidade são sempre consideradas graves.

                                  Como socorrer vítimas de queimaduras
- Apague as chamas usando um cobertor ou rolando a vítima no chão.  
- Execute a avaliação primária da vítima.
- Resfrie a região queimada com muita água corrente por 10 a 15 minutos.
- Retire as roupas, relógios e pulseiras que não estiverem grudados.
- Não rompa bolhas.
- Cubra toda a área queimada com gazes molhadas em soro fisiológico ou água limpa, envolvendo esse curativo com ataduras de crepe também umedecidas. Mantenha o curativo molhado usando frascos de soro ou água, até a chegada ao hospital.
- Se a queimadura for extensa, preocupe-se em aquecer a vítima.
- Não ofereça medicamentos ou alimentos à vítima.
- Remova-a para o hospital mais próximo, mesmo quando as queimaduras forem de pequena extensão.
- No caso de queimaduras químicas utilize luvas. Se possível, tente identificar o agente químico, pois isso ajudará no atendimento médico definitivo.

* Observações:
- Jamais aplique sprays, manteigas, cremes, óleos, pasta de dente, vaselinas, pomadas, gelo, ou qualquer coisa que não seja água sobre a área queimada.
- Cuidado com as queimaduras químicas, pois estas são especialmente perigosas tanto para a vítima quanto para quem socorre. Para substâncias em pó ou pasta, primeiro remover o excesso para depois lavar, para evitar que o produto queimante escorra.

                   Como socorrer vítimas de queimaduras químicas nos olhos
- Lave os olhos da vítima imediatamente com água em abundância por 10 a 15 minutos.
- Inicie o transporte da vítima rapidamente ao hospital e faça lavagem durante todo o trajeto, cobrindo ambos os seus olhos com gazes umedecidas, mesmo que apenas um deles tenha sido atingido.
- Caso, após esse procedimento, a vítima volte a se queixa de ardor, torne a lavar os seus olhos com água.
                       Como socorrer vítimas de queimaduras elétricas 
- Não se aproxime, caso haja corrente elétrica ativa, fios soltos ou água no chão.
- Execute a avaliação primária.
- Utilize água para aliviar o processo de queimadura e faça curativos molhados.
- Aqueça a vítima.
- Transporte-a sem demora.

* Observações:
- As queimaduras elétricas são consideradas gravíssimas, pois podem provocar alterações no funcionamento dos sistemas do corpo, levando até à morte por parada cardíaca.
- A vítima de queimadura elétrica apresenta sinal de queimadura em 2 pontos (ponto de entrada e saída da corrente), tremores ou flacidez dos músculos, dificuldade respiratória e convulsões (em casos graves).
- Não toque na vítima ainda ligada à corrente elétrica, deve-se primeiro garantir a própria segurança, desligando a energia.



Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Primeiros socorros


A grande maioria dos acidentes poderia ser evitada, porém, quando eles ocorrem, alguns conhecimentos simples podem diminuir o sofrimento, evitar complicações futuras e até mesmo salvar vidas.

Os primeiros socorros são procedimentos imediatos simples prestados a uma pessoa cujo estado físico coloca em perigo a sua vida ou a sua saúde, com o fim de manter as suas funções vitais e evitar o agravamento de suas condições.  Estes cuidados são feitos por pessoas comuns com esses conhecimentos, até a chegada de atendimento médico especializado.

Diversas situações podem precisar de primeiros socorros. As situações mais comuns são atendimento de vítimas de acidentes automobilísticos, atropelamentos, incêndios, tumultos, afogamentos, catástrofes naturais, acidentes industriais, tiroteios ou atendimento de pessoas que passem mal: ataque cardíaco, ataques epilépticos, convulsões, etc.

Nestes trágicos momentos, após os acidentes, muitas vezes entre a vida e a morte, as vítimas são totalmente dependentes do auxílio de terceiros. Estes momentos são considerados os mais importantes para se garantir a recuperação ou a sobrevivência das pessoas feridas.

É importante ressaltar que toda pessoa que estiver realizando o atendimento de primeiros socorros deve, antes de tudo, atentar para a sua própria segurança. O impulso de ajudar a outras pessoas não justifica a tomada de atitudes inconseqüentes, que acabem transformando-o em mais uma vítima.

         Quando houverem outras pessoas no local, devemos pedir e aceitar a colaboração de outras pessoas, se deixando liderar pela pessoa que apresentar maior conhecimento e experiência. Se essa pessoa de maior experiência e conhecimento for você, solicite a ajuda das demais pessoas, demonstrando a cada uma o que deve ser feito, de forma rápida e precisa. Apesar da gravidade da situação devemos agir com calma, evitando o pânico. Transmita confiança, tranqüilidade, alívio e segurança aos acidentados que estiverem conscientes, informando que o auxílio já está a caminho. Aja rapidamente, porém dentro dos seus limites. Às vezes, é preciso saber improvisar.


         Ao iniciar o procedimento de primeiros socorros deve-se fazer a avaliação das condições da vítima. Devem-se observar sinais (tudo o que se observa ao examinar uma vítima: respiração, pele fria, palidez, etc.), sintomas (é o que a vítima informa sobre si mesma: náusea, dor, vertigem, etc.) e sinais vitais (sinais cuja ausência ou alteração indica grave irregularidade no funcionamento do organismo. São eles: pulso (batimentos cardíacos), respiração, pressão arterial e temperatura.

        Alguns outros procedimentos importantes para quem precisa prestar socorro a uma vítima são:
- Manter a vítima deitada, em posição confortável, até certificar-se de que a lesão não tem gravidade;
- Investigar particularmente a existência de hemorragia, envenenamento, parada respiratória, ferimentos, queimaduras e fraturas (principalmente da coluna cervical); Deve-se dar prioridade ao atendimento dos casos de hemorragia abundante, inconsciência, parada cardiorrespiratória, estado de choque e envenenamento, pois EXIGEM SOCORRO IMEDIATO.
- Verificar se há lesão na cabeça, quando o acidentado estiver inconsciente ou semiconsciente. Havendo hemorragia por um ou ambos os ouvidos, ou pelo nariz, é possível que a vítima tenha sofrido traumatismo no crânio;
- Não dar líquidos a pessoas inconscientes;
- Recolher, em caso de amputação, a parte seccionada, envolvendo-a em um pano limpo para entrega IMEDIATA ao médico;
- Certificar de que qualquer providência a ser tomada não venha a agravar o estado da vítima;
- Chamar o médico ou transporte a vítima, se necessário. Fornecer informações como: local, horário e condições em que a vítima foi encontrada e quais os Primeiros Socorros a ela prestados.
- Inspirar confiança e evitar o pânico.
- Comunicar a ocorrência à autoridade policial local.


             Nos primeiros socorros, o importante é estar sempre preparado para o inesperado ou inevitável, socorrendo ao próximo da melhor maneira possível.



            Saiba mais informações sobre como agir em casos de hemorragia, queimadura e outros acidentes em nossas próximas postagens.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Síndrome do Pânico

         
" De repente, eu senti uma terrível onda de medo, sem nenhum motivo. Meu coração disparou, tive dor no peito e dificuldade para respirar. Pensei que fosse morrer. " (Depoimento de um paciente que sofre de Síndrome do Pânico)

              A "Síndrome do Pânico" ou “Transtorno do Pânico” é um quadro clínico de transtorno psicológico, que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico inesperados e intensos, sem que haja um estímulo disparador compatível com a intensidade das crises. O indivíduo vive uma variedade de experiências intensas, desprazeirosas e estranhas, sem que consiga identificar, a princípio, o que as desencadeou. 

              A característica principal desta patologia são crises de ansiedade agudas, caracterizadas pela súbita, inesperada e freqüentemente avassaladora sensação de terror e apreensão, acompanhada de sintomas somáticos em muitos órgãos e sistemas, como falta de ar, palpitações e sensação de desfalecimento. Um desequilíbrio na produção dos neurotransmissores (serotonina e a noradrenalina) que formam o sistema de alerta normal do organismo e que prepara o mesmo para uma ameaça ou perigo, tende a ser desencadeado desnecessariamente na crise de pânico, sem haver perigo iminente. 

             Os sinais e sintomas de uma crise de pânico são semelhantes aos que ocorrem durante um esforço físico intenso ou numa situação de risco de vida. Consistem em períodos de intensa ansiedade, geralmente com início súbito e acompanhados por uma sensação de fobia iminente (medo de tudo ou de algo específico, como atravessar a rua ou tomar um elevador, etc). Neste estágio, diz-se que a pessoa tem transtorno do pânico com agarofobia. A freqüência das crises varia de pessoa para pessoa e sua duração é variável, geralmente durando alguns minutos. 

                          
 

             No geral, as crises de pânico apresentam pelo menos quatro dos seguintes sintomas: Tensão muscular, taquicardia, dificuldade de respirar, dor no peito, formigamento, tontura, tremores, náusea, desconforto abdominal, calafrios, ondas de calor, visão embaçada, boca seca, dificuldade de engolir, sensação de irrealidade, despersonalização, terror (sensação de que algo terrível está para acontecer), vertigens, sensação de debilidade, medo de perder o controle, medo de morrer. Há crises de pânico mais completas e outras menores, com poucos sintomas.

             Geralmente as crises de pânico se iniciam com o disparo de uma reação inicial de ansiedade, que logo ativa um medo em relação às reações que começam a ocorrer no corpo. Durante a crise, surgem na mente da pessoa uma série de interpretações negativas sobre o que está ocorrendo, sendo muito comuns quatro tipos de pensamentos catastróficos: de que a pessoa está perdendo o controle, que vai desmaiar, que está enlouquecendo ou que vai morrer. 

                                                    
             Depois de ter uma crise de pânico, por exemplo, enquanto dirige, fazendo compras em uma loja lotada ou dentro de um elevador, a pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamados fobias) destas situações e começar a evitá-las. Gradativamente o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com o transtorno do pânico pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo pôr o pé fora de casa. Desta forma, o distúrbio do pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana de uma pessoa como outras doenças mais graves, a menos que ela receba tratamento eficaz e seja compreendida pelos demais. 

             No intervalo entre as crises a pessoa costuma viver na expectativa de ter uma nova crise. Este processo, denominado ansiedade antecipatória, leva muitas pessoas a evitarem certas situações e a restringirem suas vidas. 


                                               
             A síndrome do pânico costuma acontecer no início da vida adulta, tem maior incidencia em mulheres (ocorre duas vezes mais) e aparece devido às seguintes condições:
- Psicológicas (mais comuns): Reação a uma fase de Stress e situação difícil, como pressões no trabalho, no casamento, na família, ou também a uma experiência traumática, como assalto, seqüestro, acidentes ou doença grave. Essa forma mais específica de distúrbio de ansiedade se chama Transtorno de Stress Pós Traumático.
- Físicas: Consumo de alguns medicamentos (principalmente anfetaminas), drogas (cocaína, maconha, crack, ecstasy) e abuso de álcool.
- Genéticas: Antecedentes familiares de pânico, depressão, TOC (transtorno obsessivo compulsivo, TAG (transtorno de ansiedade generalizada), TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade), etc. Atenção: predisposição genética não quer dizer hereditariedade. Ou seja, Pânico não passa de pai para filho.

* Um único episódio de crise de ansiedade não caracteriza a síndrome do pânico, mas crises repetidas levam ao desenvolvimento do transtorno.

             Existe uma variedade de tratamentos para esta doença, mas o mais importante neste aspecto é que se introduza um tratamento que vise restabelecer o equilíbrio bioquímico cerebral numa primeira etapa. Isto pode ser feito através de medicamentos seguros (antidepressivos e ansiolíticos) e que não produzam risco de dependência física dos pacientes. Numa segunda etapa prepara-se o paciente para que ele possa enfrentar seus limites e as adversidades vitais de uma maneira menos estressante. Em última análise, trata-se de estabelecer junto com o paciente uma nova forma de viver onde se priorize a busca de uma harmonia e equilíbrio pessoal. Uma abordagem psicoterápica específica deverá ser realizada com esse objetivo. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação. O paciente começa a melhorar entre duas e quatro semanas, mas geralmente leva um ano para se recuperar. Raramente há cura espontânea e, apesar de muitas pessoas ainda colocarem em xeque a relevância de complicações psicológicas, a síndrome do pânico deve ser tratada como doença.

             Em adição, pessoas com transtorno do pânico podem precisar de tratamento para outros problemas emocionais. A depressão geralmente está associada ao transtorno do pânico, assim como pode haver alcoolismo, ao uso de outras drogas e ate mesmo a tentativas de suicídio. 

             O sucesso do tratamento está diretamente ligado ao engajamento do paciente com o mesmo. É importante que o paciente entenda todas as peculiaridades envolvidas por este mal e que queira fazer uma boa "aliança terapêutica" com seu médico, no sentido de juntos superarem todas as adversidades que poderão surgir na busca do seu equilíbrio pessoal.


Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu