terça-feira, 29 de maio de 2012

Anencefalia



               Anencefalia é uma patologia congênita, onde há ausência de grande parte do cérebro e do crânio, proveniente de um defeito no fechamento do tubo neural, que ocorre nas primeiras semanas da formação embrionária (entre o 16o e o 26o dias). O cérebro e o cerebelo são reduzidos ou inexistentes e o tecido cerebral é frequentemente exposto (não coberto por osso ou pele). Também chamada de aprosencefalia com crânio aberto, é a malformação fetal mais comumente relatada, atinge em sua maior parte caucasianos do sexo feminino e cerca de 1 em cada 1000 bebês, porém o número exato é desconhecido, porque em muitos dos casos ocorre o aborto natural.

               Ao contrário do que o termo possa sugerir, a anencefalia não caracteriza casos de ausência total do encéfalo, mas situações em que se observam graus variados de danos encefálicos. Os defeitos do tubo neural envolvem o tecido que cresce dentro do cérebro e da medula espinhal. Com isso, o bebê pode apresentar algumas partes do tronco cerebral funcionando, garantindo apenas algumas funções vitais do organismo.

               Trata-se de uma má-formação que passa, sem solução de continuidade, de quadros menos graves a quadros de indubitável anencefalia, sendo uma doença letal. Com raríssimas exceções, bebês com anencefalia têm expectativa de vida muito curta, embora não se possa estabelecer com precisão o tempo de vida que terão fora do útero. 





               Um recém-nascido com anencefalia geralmente é cego, surdo, inconsciente e incapaz de sentir dor. Embora alguns indivíduos com anencefalia possam nascer com um tronco encefálico, a falta de um cérebro funcionante descarta a possibilidade de vir a ter consciência e ações reflexas, como a respiração e respostas aos sons ou toques. Apesar de a gravidez poder ser levada adiante normalmente (pois a saúde da mãe não corre risco maior do que em uma gravidez de um bebê saudável), muitas vezes as mães são aconselhadas a interromper a gravidez, pois o bebê morre logo após seu nascimento ou algum tempo depois. Mas, esta atitude gera muita polêmica, pois mesmo que em alguns países, em casos como estes seja possível optar pelo aborto, no Brasil, esse direito ainda não é legal. É permitida a prática do aborto somente quando a gestação é decorrente de estupro ou quando não há outro meio para salvar a vida da mãe. Além da imposição da lei, existem vários fatores éticos e morais que desaprovam o aborto, uma vez que o ser encefálico tem o direito de nascer e de tentar viver enquanto tiver condições para tal.

               Ainda não se sabe por que acontece esta doença. As causas possíveis incluem toxinas ambientais e baixa ingestão de ácido fólico durante a gravidez. Vale destacar também que mães diabéticas ou que tomam certos medicamentos para a epilepsia, tem muito mais probabilidade de gerar filhos com defeito no tubo neural. E ainda, mães muito jovens ou com idade avançada também têm o risco aumentado. Algumas causas menos comuns são: uso de medicamentos inadequados durante o primeiro mês de gestação, infecções, radiação, intoxicação por substâncias químicas, exposição a toxinas (como cromo, chumbo, mercúrio e níquel), uso de drogas ilícitas e alterações genéticas.

               A má-formação geralmente é reconhecida durante o pré-natal, podendo ser diagnosticada, com certa precisão, a partir das 12 semanas de gestação, através de um exame de ultra-sonografia, quando já é possível a visualização do segmento cefálico fetal. De modo geral, os ultra-sonografistas preferem repetir o exame em uma ou duas semanas para confirmação diagnostica.

               Para evitar a anencefalia é muito importante incluir ácido fólico na dieta alimentar das mulheres em idade fértil, ou que desejam engravidar, pois como esta alteração ocorre no primeiro mês de gestação, quando a maior parte das mulheres ainda não sabem que estão grávidas, deve-se iniciar esta suplementação a partir do momento em que a mulher deixa de utilizar métodos contraceptivos, no mínimo 3 meses antes de engravidar. O ácido fólico diminui significativamente a incidência de defeitos congênitos. O ideal é consumir ácido fólico diariamente.

               Infelizmente, não há cura para a anencefalia ou qualquer tratamento que possa ser feito para tentar salvar a vida do bebê. Devido à falta de desenvolvimento do cérebro, cerca de 75 por cento dos bebês são natimortos (morrem dentro do útero ou durante o parto) e os restantes 25 por cento dos bebês morrem dentro de algumas horas, dias ou semanas após o parto, podendo chegar até 1 ano. O tratamento é mais para a família, que precisa de apoio emocional, afinal, vivenciar a perda de um filho pode ser muito traumático.





Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião (CRM 15844)
Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
                                (45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Hérnia de Disco


A hérnia de disco é uma doença bastante comum, que atinge cerca de 65% da população brasileira. É causada por uma lesão dos discos que compõem a coluna vertebral. Estes discos tem forma de anel, são constituídos por tecido cartilaginoso e elástico, situam-se entre vértebras e sua função é evitar o atrito entre uma vértebra e outra e amortecer impactos. Má postura, não se acomodar na cadeira, carregar peso, dirigir muito, esforço repetitivo, estar acima do peso ou até mesmo levar uma vida sedentária, podem com o tempo, levar ao desgaste da cartilagem destes discos.


A hérnia de disco nada mais é do que o deslocamento de um dos discos intervertebrais, ou seja, parte deles sai da posição normal e comprime as raízes nervosas que emergem da coluna, onde há o aparecimento de edema e inflamação, que podem comprimir o nervo ciático. Assim, a dor ciática aparece. Quando o núcleo de um dos discos vertebrais sai do canal espinhal e comprime outro nervo, o membro inervado será afetado. Assim, quando o nervo que inerva a perna é comprimido, a dor irradia por esse membro.
O problema é mais frequente nas regiões lombar e cervical, por serem áreas mais expostas ao movimento e que suportam mais carga. Normalmente este processo ocorre em médio e longo prazo, mas também existe a possibilidade de que ocorra de forma abrupta, no caso de um trauma de grande impacto, uma queda, ou um movimento em falso. As pessoas mais afetadas por uma hérnia de disco estão entre 25 e 45 anos e após os 50 anos, 30% da população mundial apresenta alguma forma assintomática desse tipo de afecção na coluna.

Os sintomas mais comuns da hérnia de disco são: Parestesias (formigamento) com ou sem dor na coluna, geralmente com irradiação para membros inferiores ou superiores, podendo também afetar somente as extremidade (pés ou mãos). Esses sintomas podem variar dependendo do local da acometido. A hérnia de disco comprime raízes dos nervos e medula, que estão próximas a ela. Toda área próxima a hérnia de disco pode ficar comprometida, devido à redução de espaço. Na verdade, se um nervo raquidiano é afetado, haverá uma sensação de fraqueza e dificuldade de mobilidade (afetando as pernas). Ao contrário, se um nervo do pescoço é afetado, o paciente irá apresentar sintomas em seus braços. Mais em qualquer caso, haverá dor, rigidez e espasmos na área afetada. Às vezes, se a hérnia de disco afeta a medula espinhal, pode haver disfunção do baço. Se a hérnia de disco estiver posterior pode diminuir o diâmetro do canal medular, comprimindo a medula naquele local. É esta compressão dos nervos, causada pelo material exposto fora do disco, que resulta nos sintomas da hérnia de disco. Quando a hérnia de disco está localizada no nível da cervical, pode haver dor no pescoço, ombros, na escápula, braços ou no tórax, associada a uma diminuição da sensibilidade ou de fraqueza no braço ou nos dedos. Na região torácica elas são mais raras devido a pouca mobilidade dessa região da coluna mais quando ocorrem os sintomas tendem a ser inespecíficos, incomodando durante muito tempo. Pode haver dor na parte superior ou inferior das costas, dor abdominal ou dor nas pernas, associada à fraqueza e diminuição da sensibilidade em uma ou ambas as pernas. A maioria das pessoas com uma hérnia de disco lombar relatam uma dor forte atrás da perna e segue irradiando por todo o trajeto do nervo ciático. Além disso, pode ocorrer diminuição da sensibilidade, formigamento ou fraqueza muscular nas nádegas ou na perna do mesmo lado da dor. A hérnia de disco pode ser assintomática ou, então, provocar dor de intensidade leve, moderada ou tão forte que chega a ser incapacitante (Radiculopatia).

Predisposição genética é a causa de maior importância para a formação de hérnias discais, seguida do envelhecimento, da pouca atividade física e do tabagismo. Há  também outros fatores que podem comprometer a integridade do sistema muscular que dá sustentação à coluna vertebral e favorecer o aparecimento de hérnias discais:
- O envelhecimento dos discos vertebrais, torna-os menos elásticos, fazendo com que o envelope que envolve o núcleo se rompa mais facilmente;
- Transportar cargas muito pesadas;
- Má postura ao carregar cargas;
- Movimentos incorretos ou falsos;
- Quedas;
- Excesso de peso.


Entre fatores ocupacionais associados a um risco aumentado de dor lombar estão:
- Trabalho físico pesado
- Postura de trabalho estática
- Inclinar e girar o tronco freqüentemente
- Levantar, empurrar e puxar
- Trabalho repetitivo
- Vibrações
- Psicológicos e psicossociais

O diagnóstico de uma hérnia de disco começa com a anamnese médica, onde o médico faz perguntas a fim de encontrar as causas da dor. Ele então irá proceder com uma radiografia, tomografia computadorizada ou por IRM (Imagem por Ressonância magnética). O médico pode, então, excluir todas as outras causas de dor lombar ou dor ciática, como tumores, fraturas, etc.

Desenvolver hábitos saudáveis de vida e que estejam de acordo com as normas básicas estabelecidas pela Ergonomia, tais como: prática regular de atividade física, realização de exercícios de alongamento e de exercícios para fortalecer a musculatura abdominal e paravertebral, e postura corporal correta são medidas importantes para prevenir as doenças da coluna.

As hérnias de disco localizadas na coluna lombar, em geral, respondem bem ao tratamento clínico conservador. O quadro reverte com o uso de analgésicos e antiinflamatórios, se a pessoa fizer um pouco de repouso e sessões de fisioterapia e acupuntura. Em geral, em apenas um mês, 90% dos portadores dessas hérnias estão aptos para reassumir suas atividades rotineiras.

Hérnias de disco na coluna cervical podem surgir diretamente nessa região ou serem provocadas por alteração na curvatura e posicionamento da coluna vertebral durante a crise da hérnia lombar. A escolha do tratamento, se cirúrgico ou não cirúrgico, considera a gravidade dos sintomas e o déficit motor. A cirurgia só é indicada quando o paciente não responde ao tratamento conservador e nos casos de compressão do nervo exercida por parte do disco que extravasou, pois corrigido esse defeito mecânico a dor desaparece completamente.

Para prevenir a hérnia de disco, recomenda-se:
* Evitar todos os excessos que facilitam a instalação das hérnias de disco: excesso de peso, de exercícios físicos, de cigarro;
* Procurar manter a postura correta quando sentado ou em pé;
* Não esquecer de que vida sedentária é responsável não só pela formação de hérnias de disco, mas por muitos outros problemas de saúde;
* Informar-se sobre o tipo de atividade física indicada para sua faixa de idade;
* Suspender os exercícios se os sintomas voltarem e procure assistência médica imediatamente;
* Seguir as recomendações médicas depois da cirurgia para evitar que nova hérnia se forme naquele local.

Para quem já tem hérnia de disco, algumas dicas são:
* Deitar-se, para alongar a coluna;
* Aplicar compressas quentes, para relaxar os músculos, diminuir a tensão, e portanto, diminuir a dor;
* É aconselhado praticar natação no estilo costas. De fato, na natação trabalha-se com os músculos dorsais e abdominais, mas as costas são apoiadas pela água. Ela fortalece os músculos, poupando as costas. Isso ajuda a prevenir as recidivas.


Acompanhe mais informações sobre a doença nesta entrevista dada pelo Dr. Aramis Pedro Teixeira no Programa Destaque do SBT.




Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Doença de Parkinson




                  Popularmente conhecida como Mal de Parkinson é uma doença neurodegenerativa dos neurônios produtores de dopamina, um neurotransmissor que age no controle dos movimentos finos e coordenados, como por exemplo beber um copo d'água. O mal de Parkinson se caracteriza pela destruição destes neurônios, levando a uma escassez de dopamina no sistema nervoso central e, consequentemente, a um distúrbio dos movimentos.

               É uma das doenças neurológicas mais freqüentes, pode afetar qualquer pessoa, independentemente de sexo, raça, cor ou classe social, mas tende a afetar as pessoas mais idosas. Tem seu início geralmente após os 50 anos de idade e acomete, aproximadamente, 1% dos indivíduos acima de 65 anos. Recebeu esse nome em 1817, em homenagem ao Dr. James Parkinson, o primeiro médico a descrever a doença (na época chamada de paralisia agitante, pois a pessoa não consegue caminhar direito, mas agita e treme o corpo).

                  Os sinais e sintomas do mal de Parkinson podem ser divididos em motores e não-motores:
1) Sintomas motores do mal de Parkinson

- Tremores: ocorrem principalmente quando o paciente encontra-se em repouso e melhora quando se movimenta o membro. Esta é uma característica que distingue o tremor da doença de Parkinson dos tremores que ocorrem por outras causas.
Em fases inicias da doença, o tremor é intermitente e costuma passar despercebido pelos familiares e amigos. O paciente pode referir uma sensação de "tremor interno", como se algum dos membros estivesse tremendo, quando na verdade, o tremor não é perceptível para outros. Os tremores perceptíveis costumam começar em uma das mãos, normalmente com movimentos entre o dedo indicador e o polegar, como se estivesse a contar dinheiro. Com o passar dos anos a doença avança e os tremores se tornam mais generalizados, alcançando outros membros. 
O tremor em repouso é o sintoma inicial do mal de Parkinson em 70% dos casos. Com o evoluir da doença, praticamente todos os pacientes apresentarão algum grau de tremor. São poucos os casos de Parkinson que não causam tremores.
Como o tremor da doença de Parkinson ocorre em repouso e melhora à movimentação, este acaba não sendo um sintoma muito incapacitante, ao contrário da bradicinesia.


- Bradicinesia: significa movimentos lentificados. A bradicinesia é o sintoma mais incapacitante do Parkinson. O paciente sente-se cansado, com intensa fraqueza muscular e sensação de incoordenação motora. Tarefas simples tornam-se muito difíceis, como abotoar uma camisa, digitar no computador, pegar moedas dentro do bolso ou amarrar os sapatos. O doente refere dificuldade para iniciar qualquer movimento voluntário. O paciente torna-se hesitante e descoordenado.
Com o tempo até andar vira uma tarefa difícil; os passos tornam-se curtos e lentos, o paciente apresenta dificuldade para se levantar e sente-se desequilibrado quando em pé.


- Rigidez: a rigidez dos músculos é outro sintoma importante do mal de Parkinson. Assim como o tremor e a bradicinesia, a rigidez inicia-se apenas de um lado, generalizando-se conforme a doença progride. A sensação que se tem é a de que os músculos estão presos, muitas vezes limitando a amplitude dos movimentos e causando dor. Um dos sinais típicos é a perda do balançar dos braços enquanto se anda.


- Instabilidade postural: Nosso equilíbrio enquanto andamos ou permanecemos em pé depende do bom funcionamento do cérebro; é ele que controla nosso tônus e reflexos musculares que mantêm nosso centro de gravidade estável. A perda da estabilidade postural é um sintoma que só ocorre em fases avançadas da doença de Parkinson, manifestando-se principalmente com quedas regulares.
            Outros sintomas comuns do mal de Parkinson:
- Perda expressão facial (expressão apática)
- Redução do piscar dos olhos
- Alterações no discurso
- Aumento da salivação
- Visão borrada
- Micrografia (caligrafia altera-se e as letras tornam-se pequenas)
- Incontinência urinária


2) Sintomas não-motores do mal de Parkinson
            Além de todas as alterações motoras, os pacientes com doença de Parkinson também podem desenvolver uma data de alterações neurológicas como demência, alterações do sono, depressão, ansiedade, memória fraca, alucinações, psicose, perda do olfato, constipação intestinal, dificuldades para urinar, impotência sexual, raciocínio lentificado e apatia.  
            A progressão da doença é muito variável e desigual entre os pacientes. Para alguns até parece que a doença está estabilizada, porque a evolução é muito lenta, sem rápidas ou dramáticas mudanças. O curso é progressivo ao longo de 10 a 25 anos após o surgimento dos sintomas. Na maior parte dos casos a lentidão causada pela enfermidade altera a qualidade de vida do paciente. É comum o paciente apresentar sinais de depressão, como falta de apetite, cansaço e alterações do sono. Além de dificultar a vida cotidiana, os sinais e sintomas podem tornar a pessoa incapaz de cuidar de si própria. A síndrome não é fatal mas fragiliza e predispõe o doente a outras patologias, como pneumonia de aspiração (o fraco controle muscular leva a deglutição da comida para os pulmões) e outras infecções devido à imobilidade.

                  A doença de Parkinson é idiopática, ou seja é uma doença primária de causa obscura. O fator genético é pouco representativo neste mal. Mas existem fatores que podem desencadear os sintomas:
- Uso exagerado e contínuo de medicamentos. Uma substância usada freqüentemente para aliviar tonturas e melhorar a memória, a cinarizina, pode bloquear o receptor que permite a eficácia da dopamina.
-Trauma craniano repetitivo. Os lutadores de boxe, por exemplo, podem desenvolver a doença devido às pancadas que recebem constantemente na cabeça. Isso pode afetar o bom funcionamento cerebral.
- Isquemia cerebral. Quando a artéria que leva sangue à região do cérebro responsável pela produção de dopamina entope, as células param de funcionar.
- Freqüentar ambientes tóxicos, como indústrias de manganês (de baterias por exemplo), de derivados de petróleo e de inseticidas.


                  O diagnóstico é feito pelos sintomas e sinais que o paciente apresente, como tremor em repouso, bradicinesia ou rigidez, e também por exclusão. Às vezes os médicos recomendam exames como eletroencefalograma, tomografia computadorizada, ressonância magnética, análise do líquido espinhal, etc., para terem a certeza de que o paciente não possui nenhuma outra doença no cérebro. O diagnóstico da doença faz-se baseada na história clínica do doente e no exame neurológico. Infelizmente não há nenhum teste específico para fazer o diagnóstico da doença de Parkinson, nem para a sua prevenção.


                  Quando não tratado, o mal de Parkinson piora até que a pessoa esteja totalmente incapacitada. Esta doença pode levar ao total deterioração das funções cerebrais e morte prematura.

                  É importante lembrar e compreender que até agora, não existe tratamento único e definitivo para a doença de Parkinson. Porém, ela pode e deve ser tratada, controlando os sintomas para evitar sua rápida evolução. Então, este controle é feito, principalmente, com medicações e com a reposição da dopamina. O neurologista deverá ser consultado para que se possa definir se há necessidade de remédios e quais deverão ser empregados. O grau de alívio dos sintomas e o tempo de alívio variam de acordo com cada pessoa.

                  A grande arma da medicina para combater o Parkinson são os remédios e cirurgias, além da fisioterapia e a terapia ocupacional. Todas elas combatem apenas os sintomas. A fonoaudiologia também é muito importante para os que têm problemas com a fala e a voz.


                  1) Tratamento Medicamentoso
A) Levodopa ou L-Dopa: Ainda é o medicamento mais importante para amenizar os sintomas da doença. A levodopa se transforma em dopamina no cérebro, e supre parcialmente a falta daquele neurotransmissor. Infelizmente, o uso prolongado de muitos anos pode causar reações secundárias bastante severas, como os movimentos involuntários anormais. 

B)Outros: Além da levodopa, existem diversos outros medicamentos que complementam o arsenal para combater os sintomas da doença. Entre eles estão: carbidopa, etacapona, palmipexol, bromoergocriptina, amantatina e demais associações com drogas anti-demenciais como rivastigmina, memantina, donezepila, etc.


                  2) Cirurgias
                  As cirurgias também podem ser bastante benéficas para determinados pacientes. O tratamento cirúrgico da doença pode ser dividido em:
A) Técnicas Lesionais: Dentro das técnicas lesionais temos a talamotomia e a palidotomia. A primeira, é uma técnica indicada no tremor. Pode proporcionar uma redução de 80% da intensidade do tremor, em especial se este for predominante na metade do corpo. As complicações incluem apraxia (falha nos movimentos do membro superior), disartria, disfagia, abulia 73, distúrbios da fala e da linguagem. A palidotomia estereotática do globo pálido interno é o procedimento cirúrgico de escolha no tratamento de discinesias induzidas por levodopa, promovendo uma notável melhora deste sintoma. Há relatos de complicações como disfunção cognitiva, disfagia, disartria, hemianopsia lateral homônima, hemiparesia transitória, abscesso intracraniano e hemorragia subcortical e palidal. Essas lesões podem diminuir a rigidez e abolir o tremor. Todavia, nenhuma delas representa a cura da doença. O médico dirá se um paciente pode ou não se beneficiar do tratamento.

B) Estimulação Profunda do Cerebral (Deep Brain Stimulation/marcapasso cerebral): Atualmente já disponível no Brasil, o marcapasso é muito benéfico, especialmente para reduzir o tremor. A estimulação elétrica crônica atua de forma a romper ou inibir a atividade neuronal. Além de ser um método seguro, a estimulação cerebral profunda possui a vantagem de poder ser regulada ou mesmo suspensa, ao contrário das técnicas lesionais. Da mesma forma, não impede que o paciente possa futuramente obter proveito de novas abordagens. O eletrodo, sustentado por uma bateria subcutânea que dura de 3 a 5 anos, pode ser implantado no núcleo subtalâmico ou no globo pálido interno. Ao atenuar as discinesias, a estimulação subtalâmica permite o aumento da dose de levodopa e melhora os sintomas parkinsonianos. Independentemente da ação da levodopa, é observada uma melhora da bradicinesia e do tremor. As complicações encontradas são disartria e alterações do equilíbrio. O alto custo desta forma de tratamento é um de seus principais fatores limitantes.

                  3) Fisioterapia: Esta técnica, através da reeducação e a manutenção da atividade física, é um complemento indispensável ao tratamento da doença de Parkinson, e é tão importante quanto os remédios. Ela permite que o tratamento tenha melhor eficácia; portanto, é necessária sob todos os pontos de vista, inclusive para melhorar o estado psicológico do paciente. De fato, os exercícios físicos conservam a atividade muscular e flexibilidade articular. Inativos, os músculos têm tendência a se atrofiar, se contrair e sua força diminui. A rigidez resultante limita a amplitude dos gestos. Aconselhe-se sempre com um fisioterapeuta sobre os principais exercícios recomendados para o seu caso em particular.

                  4) Tratamento psicológico: 90% das pessoas com parkinson sofrem também com algum outro transtorno psiquiátrico em algum momento. Dependendo do caso esses transtornos podem tanto ter colaborado para o desenvolvimento quanto serem consequência da doença ou mesmo não terem relação direta. Mas independente de serem causa, consequência ou coincidentes, os distúrbios cognitivos, transtornos de humor e transtornos de ansiedade frequentes causam grandes prejuízos na qualidade de vida dos pacientes e seus familiares. O transtorno mais comum foi a depressão nervosa, identificada em 32% dos casos, e responsável por agravar os problemas motores, de sono, alimentares e de dores. Diversos medicamentos psiquiátricos, inclusive o anti-depressivo mais usado (fluoxetina), podem agravar os sintomas do Parkinson, ressaltam a importância do acompanhamento feito por psicológos para melhorar a qualidade de vida do paciente e especialmente de seus cuidadores.

                  5) Fonoaudiologia: Os problemas com a fala ocorrem devido à falta de coordenação e redução do movimento dos músculos que controlam os órgãos responsáveis pela produção dos sons da fala. A reabilitação da comunicação ou, em simples palavras, uma terapia dirigida à fala e à voz, pode ajudar o paciente com Parkinson a conservar, apesar da doença, uma fala compreensível e bem modulada e, dessa maneira, manter um contato mais efetivo com seus semelhantes. Oriente-se sempre com um profissional em Fonoaudiologia para corrigir seus problemas com a fala e a voz.


                  6) Terapia ocupacional: O terapeuta ocupacional é o profissional que melhor poderá orientar o paciente com o objetivo de facilitar as atividades da vida diária, bem como indicar condutas que propiciem independência para a higiene pessoal e sua reinserção em sua atividade profissional.


                  Mas, além de todos estes métodos, é fundamental adotar uma dieta saudável, fazer exercícios como caminhada, corrida, natação, ter períodos regulares de descanso e ainda, evitar o desgaste neuronal do próprio sistema nervoso ocasionado por stress.







                   Acompanhe mais informações sobre a doença nesta entrevista dada pelo Dr. Aramis Pedro Teixeira no Programa Destaque do SBT.


                                     Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
                                        Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
                                 (45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tonturas


Tontura é o termo que geralmente se refere a manifestações de desequilíbrio corporal, não é uma doença, mas se trata de um sintoma apresentado em várias delas.  As tonturas estão entre os sintomas mais freqüentes em todo o mundo e são de origem labiríntica em 85% dos casos. Pode ter uma série de causas que podem levar a essa sensação. Portanto, é certo: quem ainda não teve, em algum momento da vida, terá sinais como falta de equilíbrio, sensação de possível queda ou de que a cabeça está girando. Mais raramente, as tonturas podem ser de origem visual, neurológica ou psíquica.

As pessoas que sofrem deste sintoma precisam ficar atentas, pois embora não se trate de uma doença, indica que algo não está funcionando de forma adequada no organismo. A tontura pode ser causa de motivos comuns como uma queda brusca de pressão arterial, mas também de uma doença mais grave.

Em geral as causas estão relacionadas com o labirinto (órgão em forma de caracol situado no interior do ouvido,responsável por manter o corpo em equilíbrio), pois quando ele é afetado por fatores infecciosos, inflamatórios, neoplásicos (decorrentes de tumores), entre outros, a pessoa fica com a sensação de ter perdido o equilíbrio. Este sintoma ainda pode ser causado por: infecções bacterianas ou virais, doenças do sistema nervoso, má alimentação, traumatismos no crânio, anemias, doenças psiquiátricas, Síndrome de Meniére (perda de parte da audição), efeito de drogas (diazepam,barbitúricos, etc), consumo de álcool, ou ainda pode ocorrer em pacientes que sofrem de ansiedade. A falta de circulação sanguínea cerebral, como a causada por obstrução parcial da carótida por placas de ateroma, também pode originar este sintoma. Movimentos bruscos e repetitivos como os ocorridos em brinquedos que giram ou nas chamadas "montanhas russas" podem desenvolver uma perda temporária do equilíbrio, sendo relatado como tontura.


Entre alguns outros fatores que podem causar a tontura estão:
- Quando o corpo não possui ferro suficiente para produzir hemoglobina  (proteína que transporta oxigênio no sangue)  a pessoa pode ter tontura, entre outros sintomas, se não houver tratamento.
- A menopausa ou distúrbios na tireóide comprometem o labirinto. Nesse caso, a tontura pode não ser permanente, mas recorrente. 
- As dores de cabeça podem vir acompanhadas de náuseas e sensibilidade à luz. Em alguns casos, a enxaqueca pode vir junto com tontura.
- Sintomas como respiração ofegante, taquicardia e tontura podem ser sintomas de uma crise de ansiedade.
- Entre 10 e 15% das tonturas tem origem neurológica, como por exemplo, tumores que envolvam o próprio labirinto ou os nervos que saem dele, além de doenças degenerativas.
- Uma pancada forte na cabeça pode afetar o labirinto. Um trauma acústico também, por exemplo, se uma pessoa ficar próxima de uma caixa acústica potente poderá ter tontura. 
Outro tipo de lesão é o barotrauma, que é ligado à pressão no interior do corpo. O problema pode ocorrer ao decolar no avião ou durante um mergulho na água.
- Problemas como diabetes ou colesterol alto também podem causar tonturas. No caso do colesterol, por exemplo, há um engrossamento do sangue que prejudica a oxigenação do labirinto, fazendo com que o sintoma ocorra.
- Problemas visuais, como distúrbios de refração (miopia, hipermetropia, astigmatismo), e alterações na pressão intraocular podem dar a falsa sensação de movimento, causando tontura. 
- Alguns medicamentos têm a tontura como efeito colateral. Por isso, é importante questionar o médico sobre as reações adversas dos remédios.
- Arritmias, hipertensão e alterações dos vasos que levam o sangue para o ouvido, como é o caso da aterosclerose, alteram o fluxo de sangue que vai até o labirinto.

As pessoas que sofrem de tontura  geralmente se sentem zonzas, com a cabeça “leve” e com a sensação de estar caminhando em um colchão, além de sentir as coisas girando ao seu redor. A vertigem é o tipo mais freqüente de tontura. O paciente sente-se girando, tem a impressão que o ambiente gira a sua volta. As crises mais fortes de tontura podem ser acompanhadas de náuses, vômitos, suor, palidez e sensação de desmaio. Muitos pacientes com tontura também podem referir outros sintomas como ruídos no ouvido ou na cabeça (zumbido, zoada, tinido, tinitus), diminuição da audição, dificuldade para entender, desconforto a sons mais intensos, perda de memória, dificuldade de concentração, fadiga física e mental. Isso é devido às interrelações entre o sistema do equilíbrio com a audição e outras funções do sistema nervoso central.Principalmente o Stress.


Tanto a tontura crônica quanto a aguda, são extremamente desagradáveis e dependendo do caso, chegam a comprometer severamente a qualidade de vida do paciente. Tarefas simples do dia-a-dia, como fazer compras, dirigir, caminhar, praticar esportes, ler, cuidar de crianças e limpar a casa podem ser bastante afetadas ou até impossibilitadas pela presença da tontura. Por isso é comum que o paciente sinta-se inseguro, deprimido, desesperançoso e até incapacitado.

Um diagnóstico preciso é fundamental para a determinação do tipo de tratamento a ser seguido. O diagnóstico é feito através de uma avaliação otoneurológica. Essa avaliação consiste em um estudo do histórico clínico, exames físicos, testes auditivos e vestibulares aplicados ao paciente. Nesse diagnóstico são utilizados os exames de tomografia computadorizada e a ressonância magnética.


A tontura pode ser tratada de muitas maneiras, e o tipo de tratamento prescrito dependerá da causa do problema. O tratamento é feito basicamente na eliminação do problema apresentado pelo diagnóstico, fazendo necessário este ser de grande precisão.  Em caso de vertigem pronunciada e recorrente, o médico irá primeiramente efetuar uma anamnese e depois exames clínicos. Ele irá procurar a causa da vertigem examinando os ouvidos, para detectar uma possível inflamação do ouvido interno. Ele também irá proceder a um exame dos olhos, assim como do sistema nervoso. Em caso de presença de acúfeno, ele irá recorrer ao scanner ou à IMR (Imagem por Ressonância Magnética), para descartar um eventual tumor do cérebro. Se ocorrer uma tontura repentina e violenta, principalmente em pessoas pertencentes ao grupo de risco (que sofrem de distúrbios da circulação, por exemplo), uma consulta médica é absolutamente necessária, para excluir as doenças graves, como a meningite, uma intoxicação medicamentosa, ou ainda um acidente vascular cerebral (AVC).

Uma vez detectada a real causa do problema é relativamente fácil tomar as providências necessárias contra o sintoma. Os principais tratamentos para tontura são: medicamentos (para a circulação ou para a pressão, em caso de tontura relacionada à hiper ou hipotensão), reabilitação vestibular e, mais raramente, cirurgias.

*Atenção - Casos em que a tontura ocorrer após uma forte pancada na cabeça, vier acompanhada de febre alta, perda súbita de audição, dor no peito e visão turva devem seguir imediatamente para o serviço de emergência hospitalar. Enfraquecimento das pernas ou braços, fala embaralhada, perda de consciência e mal-estar acompanhado de náusea e vômito, além da presença de desequilíbrio intenso também fazem parte dos sinais que indicam a necessidade de procurar imediatamente um hospital, pois pode indicar um ianfarto cerebral ou acidente vascular encefálico.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Parassonias

           
            As Parassonias são transtornos caracterizados por eventos comportamentais ou fisiológicos anormais, como sonhos ou atividades físicas, que ocorrem durante o sono. Estes movimentos são inconscientes e na sua maioria, não são lembrados e são mais freqüentes em crianças que em adultos.

            Antes de conciliar o sono, praticamente todas as pessoas sentiram por vezes um tremor breve e involuntário de todo o corpo. Alguns têm também paralisia do sono ou breves alucinações. Normalmente, durante o sono as pessoas têm tremores esporádicos das pernas; os adultos podem ranger os dentes intensamente, ter movimentos periódicos e sofrer pesadelos. Os estados de sonambulismo, as pancadas da cabeça, os terrores noturnos e os pesadelos são mais frequentes nas crianças e causam grande angústia. As crises epilépticas podem manifestar-se em qualquer idade.



Alguns sinais e sintomas das parassonias são:
- Dores de cabeça;
- Perda de controle muscular (cataplexia);
- Concentração e foco fracos;
- Dificuldade com a memória;
- Coordenação motora prejudicada;
- Irritabilidade.

A causa das parassonias é desconhecida, mas um terço ou mais dos indivíduos com acatisia apresentam uma história familiar. Entre algumas outras possíveis  causas e fatores de risco estão:
- Stress;
- Depressão;
- Fatores biológicos;
- Drogas (cafeína, antidepressivos tricíclicos);
- Apnéia do sono;
- Azia.

As parassonias tem uma preponderância na infância e adolescência, com tendência a desaparecerem espontaneamente no adulto jovem, após os 18 a 20 anos, sendo que uma pequena proporção persistem após esta faixa etária, e estas, geralmente requerem tratamento. As parassonias não costumam levar a danos cognitivos (mentais) com perdas na capacidade de aprendizagem, atenção, concentração ou no trabalho, mas habitualmente, geram apreensão nos familiares, daí, a necessidade de esclarecimento destes da benignidade do quadro, e da sua evolução material para o desaparecimento, associado à maturação cerebral que ocorre em torno dos 14 a 18 anos de idade. Devendo ser tratadas apenas casos particulares, onde ocorre incômodo com as pessoas que convivem com o paciente, ou quando pode ocorrer risco de acidentes com o mesmo, por possíveis exposições à escadarias, janelas sem proteção, ou variar muito de ambientes de sono.

O  tratamento pode envolver intervenção médica ou modificação no comportamento, através de hipnose ou relaxamento. Pode ser feito ainda com clonazepam em 0.5-1.5 mg administrada ao deitar. Este medicamento tem demonstrado ser benéfico em longo prazo. 

As principais parassonias são:
- Sonilóquios:  Acontece quando o paciente fala, murmura ou grita sons, sílabas e frases geralmente ininteligíveis e desconexas, durante o sono. É considerado um dos distúrbios do sono mais comum entre as crianças, é benigno e sua ocorrência diminui na idade adulta. As pessoas que são acordadas logo após um sonilóquio podem ou não se lembrar do que disseram. Isso depende de qual estágio do sono ocorreu o distúrbio. Geralmente não acarreta em prejuízo, a não ser quando falar durante o sono possa criar situações de constrangimento para o paciente. Ocorre no estágio 1 do sono-REM.

- Sonambulismo: Consiste na execução de comportamentos motores durante o sono, desde  sentar na cama, ir ao banheiro e fazer limpeza, até mesmo atividades perigosas como cozinhar, dirigir ou gesticular violentamente. Da mesma forma que o sonilóquio, não requer tratamento medicamentoso sendo, porém, fundamental a orientação do paciente e dos familiares, principalmente quanto ao risco que este quadro oferece aos acidentes.
O familiar deve tentar levar o paciente de volta para a cama. O local em que o sonâmbulo dorme deve ser seguro para evitar a ocorrência de acidentes. O sonambulismo ocorre nos estágios 3 e 4 do sono-REM, sobretudo neste último.


-Terror noturno: É caracterizado por gritos durante o sono acompanhado do semblante de terror como se a pessoa estivesse vendo algo terrorífico durante o sono. Durante uma crise de terror noturno, a criança pode ter violentos movimentos corporais, agitação extrema, gritos, gemidos, falta de ar, suor, confusão, e em alguns casos, fuga da cama ou do quarto, comportamento destrutivo e agressão dirigida a objetos ou contra eles mesmos ou outras pessoas. No momento de pânico ferimentos, fraturas e lesões podem ocorrer caso não sejam tomadas precauções. Extrema agitação pode induzir injurias: o indivíduo pode pular da janela ou cair da escadaria e pode reagir violentamente à tentativa de restrição por terceiros.


Mesmo que a criança esteja de olhos abertos, não sabe que você está ali e não se acalma. A crise pode durar alguns minutos ou até mais de meia hora, e, depois que passa, a criança volta a dormir. No dia seguinte, não vai lembrar de nada. Estes episódios são mais comuns em crianças com idade variada de 4 a 10 anos; só aproximadamente 1 a 2% das crianças entre as idades de 6 a 14 anos apresentam terror noturno; entretanto, início na vida adulta pode ocorrer. Nestes casos, o indivíduo não faz referência a sonhos ou pesadelos e freqüentemente não se recorda do episódio no dia seguinte. O terror noturno ocorre no estágio 4 do sono-REM.

- Enurese noturna: Micção involuntária durante o sono. Primária, quando há persistência episódios após os 5 anos de idade, sem se ter conseguido o controle noturno. Secundária, quando ocorre aparecimento de micção noturna involuntária em crianças que já tiveram o controle da mesma durante seis meses.
Na enurese secundária, deve-se excluir lesões urológicas, neurológicas, metabólicas e psiquiátricas. Esta parassonia ocorre durante o sono de ondas lentas, desde o estágio 1, até o estágio 4.


- Estado confusional do despertar: Caracteriza-se pelo despertar acompanhado de estado confusional e desorientação. Costuma ocorrer na primeira metade da noite. Durante o despertar o indivíduo está desorientado, confuso, e lento para falar ou responder.
Conduta inapropriada e incerta pode ser acompanhada por gemido e vocalizações incorrentes ou despropositadas, e alguns indivíduos tornam-se agitados ou violentos, especialmente durante tentativa de despertar por terceiros. Apesar dos episódios usualmente durar uns poucos minutos ou segundos, ocasionalmente podem durar até 10 minutos ou mais, durante o qual é difícil ou impossível despertar o indivíduo.
Apesar dos episódios tenderem a tornar se menos freqüentes com a idade, alguns adultos jovens, têm episódios várias vezes por semana. Os fatores precipitantes podem ser: privação de sono, distúrbios do ritmo circadiano e administração de drogas, como benzodiazepínicos e álcool. Também pode ser observado em pacientes com sonolência excessiva, como nos casos de apnéia do sono. Esta é uma parassônia do estágio 4 do sono de ondas lentas (sono-REM).

- Distúrbio Comportamental do sono-REM (período de sonhos): Caracteriza-se por comportamento violento ou desorganizado que aparece durante o sono-REM, com perda intermitente do tônus muscular na EMG, com atividade motora elaborada associada aos sonhos. Inicia-se na sexta ou sétima década da vida, sendo mais freqüente nos homens. A polissonografia mostra ausência intermitente de atonia muscular, com espasmo muscular das extremidades, com freqüência maior que a observada durante o sono-REM normal, movimentos corporais, comportamento complexo, e, por vezes, violentos. A arquitetura do sono é normal. O diagnóstico diferencial deve ser feito com terror noturno, sonambulismo, distonia paroxísticas noturna, apnéia e crises epilépticas.

- Pesadelos: São sonhos com forte conteúdo emocional, geralmente de caráter angustiante que ocorrem durante o sono-REM e levam ao despertar. Geralmente decorrem de conflitos emocionais, porém, podem ocorrer em diversas enfermidades ou após uso de drogas ou medicamentos que atuam no sono-REM. Tendem a diminuir com a idade e parecem ter um componente familiar. Os fatores precepitantes podem ser: estado emocional, rebote do sono-REM, drogas dopaminérgicos e retirada de drogas supressores do sono-REM (benzodiazepínicos). Não trazem conseqüências, quando ocorrem esporadicamente, porém, requerem tratamento quando freqüentes.



- Paralisia do sono: Decorre na persistência da atonia após o despertar do sono-REM. É a sensação de não conseguir movimentar o corpo que ocorre geralmente após o despertar. Pode ocorrer esporadicamente não constituindo anormalidade, porém, pode fazer parte da Síndrome Narcoléptica.

- Alucinações hipnagógicas: Ocorre geralmente no despertar ou no adormecer e se caracteriza por alucinações visuais ou auditivas, como se estivesse sonhando acordado. Decorre na persistência de sensações oníricas após o despertar. Assim como a paralisia do sono pode ocorrer sem indivíduos normais ou fazer parte da Síndrome Narcoléptica.

-Bruxismo: Distúrbios de movimento estereotipado, caracterizado pelo ranger ou apertar dos dentes durante o sono. Pode ser observado em duas formas: o apertamento ou bruxismo cêntrico, caracterizado por episódios isolados de atividade muscular e o ranger de dentes, ou bruxismo excêntrico, com contrações rítmicas dos músculos mastigatórios, ou a combinação desses dois tipos. O bruxismo produz sintomas musculares, cefaléias e desgaste dental. O tratamento pode ser feito com placas intra-orais ou o uso de relaxantes musculares ( sob orientação). Este quadro pode ocorrer em todos os 4 estágios do sono-NREM, sobretudo nos estágios 2 e 1.

Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu

quarta-feira, 21 de março de 2012

Sonambulismo


          É um fenômeno classificado como transtorno comportamental do sono (parassonia) durante o qual a pessoa pode desenvolver habilidades motoras simples ou complexas. Essas atividades podem ser tão inofensivas quanto sentar na cama, ir ao banheiro e fazer limpeza, ou perigosas como cozinhar, dirigir ou gesticular violentamente. Outras atividades que podem ser realizadas durante o sonambulismo incluem gemer, falar, gesticular e agarrar objetos aparentemente frutos de alucinação.

           O sonambulismo é desencadeado em pessoas que possuem as ondas cerebrais emitidas pela ponte cerebral com característica irregular, o que as impede de inibir as funções motoras do organismo, fazendo com que essa permaneça ativada mesmo com o consciente dormindo. Difere do pesadelo, onde o hipotálamo e o córtex cerebral tem um papel mais importante.

           Durante a noite o indivíduo atravessa vários estágios do sono, podendo ir do estágio inicial com ondas alfa e tetas até um sono mais profundo, com ondas deltas vistas em eletroencefalograma durante o sono. Nesse período o indivíduo não sabe o que está fazendo, de forma que ao acordar não se recorda de nada, pois inconsciente fica em repouso. As crises costumam ocorrer na primeira metade da noite, na primeira das seis passagens de um sono profundo para um mais superficial, em uma fase do sono conhecida como Movimento Rápido do Olho (REM, em inglês), podendo durar de instantes a 40 minutos. Nesta fase, as funções motoras despertam, mas a consciência continua a dormir.

            Mesmo não estando acordada de verdade, a pessoa pode começar a andar e a falar. Normalmente, passa a se mexer durante o sono, senta-se na cama, levanta-se e sai andando, ainda dormindo. As crises podem ser acompanhadas também de gritos, violência a familiares e riscos de acidentes, embora as variações mais comuns sejam a perambulação e prática de movimentos repetitivos. É necessário o cuidado para prevenção de acidentes com o sonâmbulo, principalmente devido a sua percepção parcial do ambiente. Sem o consentimento do cérebro, o indivíduo não faz nada muito complexo, mas é capaz de abrir portas e janelas, por exemplo. Isto é, o sonâmbulo se movimenta, mas não sabe o que está acontecendo.



   

            A duração do estado sonâmbulo é variável, desde poucos segundos até vários minutos e pode ainda terminar de forma espontânea ou interrompida, quando alguém acorda o sonâmbulo.

            O Sonambulismo ocorre em aproximadamente 20% das crianças de 3 a 10 anos, em média de uma vez por ano, e depois tende a desaparecer sem deixar vestígios. É provocado por uma arritmia cerebral e tende a ocorrer em membros da mesma família. O percentual de incidência de sonambulismo infantil aumenta em 45% se um dos pais já foi sonâmbulo, e em 60% caso ambos os pais já tenham tido sonambulismo.


  

             Quando o sonambulismo se manifesta na fase adulta ou após os 14 anos, o distúrbio se caracteriza como patológico, podendo ser desencadeado por fatores clínicos ou psíquicos, febre, privação de sono ou uso de alguns medicamentos.

             A incidência de distúrbios como o sonambulismo na vida adulta são relacionados, em sua maioria, a fatores externos como o estresse e preocupações. Mas quando os casos tornam-se repetitivos é necessária uma análise psicológica pela possibilidade de relação com fatores comportamentais psíquicos. Outros distúrbios, além das tensões, podem desencadear o quadro de sonambulismo. Apnéia do sono (respiração fraca durante o sono), refluxos gastresofagianos, esquizofrenia, dores de cabeça noturnas, além de variações de epilepsia, podem conduzir ao sonambulismo.

             O tratamento pode ser feito com um neurologista, a base de remédios que provoquem relaxamento durante o sono, como calmantes. Em alguns casos refratários ou que envolvem perigo ao paciente pode ser usado medicamentos antidepressivos. Em caso de fatores psicológicos serem o desencadeador do distúrbio, um acompanhamento psicoterapêutico se faz necessário. O tratamento começa a partir da prevenção com a chamada “higienização do sono”, que consiste nos seguintes cuidados:
1.Evitar dormir pouco, estabelecer horários fixos para dormir/acordar e fugir do estresse.
2.Manter o quarto arejado durante o dia, escuro à noite, sem umidade, sem ruído excessivo e limpo.
3. Evitar bebidas alcoólicas e cafeinadas.
4. Evitar luz intensa à noite, pois estimula o alerta e afasta o sono. Entretanto a exposição à luz da manhã pode ajudar a regular o início do sono à noite.
5. Fazer refeições leves (não vá dormir com fome ou após ter comido muito).
6. Praticar exercícios físicos diariamente, mas evite-os perto da hora de dormir.
7. Não cochilar durante o dia (exceto pessoas idosas que podem ser aconselhadas a ter um cochilo à tarde).
8. Evitar atividades como TV, internet e leitura antes de dormir, pois elas estimulam o alerta.
9. Evitar banhos quentes, mas banhos mornos podem ajudar.
10. Evitar ler, assistir TV e comer na cama. Use-a essencialm


       
             Se uma rotina de sono adequada e uma boa qualidade de vida não resolverem a questão e o paciente estiver sentindo seu dia a dia ser muito prejudicado por causa do distúrbio, um tratamento terapêutico medicamentoso pode ser adotado.

             Para o sonambulismo infantil, normalmente não são recomendáveis tratamentos à base de medicamentos. O ideal é que os pais tomem cuidado com a criança e com o ambiente em que ela pode circular durante a noite para garantir sua segurança, pois é uma fase em que a criança vive e passa rapidamente.
             Ao presenciar uma crise de sonambulismo, a primeira atitude que deve ser tomada, como sempre, é manter a calma. Em seguida, tente conduzir o indivíduo de volta para a cama, para que ele durma tranquilamente novamente. Tente não acordar o sonâmbulo, mas se isso acontecer durante a tentativa de levá-lo para o quarto, não se desespere. É mito a história de que pode morrer quem anda dormindo e é acordado. O máximo que pode acontecer é a pessoa ficar um pouco agitada e irritada, já que não vai entender imediatamente o que está acontecendo.


Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião
Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu