quinta-feira, 19 de julho de 2012

Fibromialgia



            É uma doença complexa que se caracteriza por existência de dor em todo o corpo, manifestada especialmente nos tendões e nas articulações, além de cansaço extremo, perturbações no sono e alterações emocionais. Trata-se de uma patologia relacionada com o funcionamento do sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor que atinge, em 90% dos casos, mulheres entre 35 e 50 anos.

            A fibromialgia não provoca inflamações nem deformidades físicas, mas pode estar associada a outras doenças reumatológicas o que pode confundir o diagnóstico. Uma característica da pessoa com Fibromialgia é a grande sensibilidade ao toque e à compressão de pontos nos corpos. No passado, pessoas que apresentavam dor generalizada e uma série de queixas mal definidas não eram levadas muito a sério. Por vezes problemas emocionais eram considerados como fator determinante desse quadro ou então um diagnóstico nebuloso de “fibrosite” era estabelecido. Isso porque acreditava-se que houvesse o envolvimento de um processo inflamatório muscular.

            A causa e os mecanismos que provocam fibromialgia não estão perfeitamente esclarecidos dentro da medicina. Sabe-se, porém, que os níveis de serotonina são mais baixos nos portadores da doença e que desequilíbrios hormonais, tensão e estresse podem estar envolvidos em seu aparecimento. Os estudos mais recentes mostram que os pacientes com fibromialgia apresentam uma sensibilidade maior à dor do que pessoas sem fibromialgia. Como se o cérebro das pessoas com fibromialgia estivesse com um "termostato" desrregulado, que ativasse todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor. A pessoa começa a não dormir bem e não se exercitar, o que piora a dor muscular, mantendo o ciclo. Sintomas de depressão e ansiedade também podem piorar o quadro. A fibromialgia pode também aparecer depois de eventos graves na vida de uma pessoa, como um trauma físico, psicológico ou mesmo uma infecção grave. O mais comum é que o quadro comece com uma dor localizada crônica, que progride para envolver todo o corpo. O motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvem fibromialgia e outras não ainda é desconhecido.


            Entre os sintomas mais comuns desta patologia estão:
- Fadiga intensa, que afeta aproximadamente 90% dos casos, sendo mais notada pela manhã e ao final do dia. As atividades intelectuais e o menor esforço físico agravam esta fadiga, impedindo a realização das atividades da vida diária. É associada aos distúrbios do sono.

- Distúrbios do sono, onde existem alterações na fase IV do sono, correspondendo à sensação de sono não reparador. Estudos mostram que ocorrem em até 100% dos pacientes e são bastante variáveis. Muitos relatam que tem sono leve, mas certos pacientes dizem que tem bom sono e dormem toda à noite, embora acordem mais cansados do que antes de se deitar, com a sensação de não ter dormido, dor pelo corpo, rigidez e cansaço.

- Síndrome do cólon irritável, em cerca de 60% dos pacientes. As queixas mais comuns referem-se a alterações do hábito intestinal, variando de constipação intestinal à diarreia. São comuns também as queixas de náuseas, vômitos, dor ou desconforto abdominal, flatulência, inchaço e cólicas após refeições.

- Alterações de humor, caracterizadas por ansiedade, depressão e irritabilidade na maioria dos pacientes, mas não se sabe se estas alterações são causa ou conseqüência. 25% dos pacientes já consultaram psiquiatras por depressão, 25% dos pacientes apresentam depressão ativa e a maioria não percebe a depressão concomitante. Pessoas ansiosas tendem a respirar disfuncionalmente e os padrões respiratórios envolvidos podem aumentar os sintomas da fibromialgia.

- Maior sensibilidade ao frio: as mudanças de temperatura afetam agudamente o paciente, havendo piora da dor com as mudanças climáticas, com relação à temperatura fria, à umidade e ao ar-condicionado. A aplicação de calor freqüentemente ajuda a aliviar a dor.

- Rigidez articular difusa (atinge além das áreas articulares), especialmente pela manhã, após repouso prolongado ou mudanças climáticas. Esta sensação deve ser diferenciada da rigidez da artrite reumatóide, na qual a rigidez é maior nas articulações e que demora um tempo maior para se dissipar.

- Parestesias e perda de força, que podem ser localizadas ou difusas, sem relação com exame neurológico e edema subjetivo de tecidos moles percebido pelo paciente, que freqüentemente queixa-se de mãos inchadas, pois o exame físico revela ausência de edema.

            O diagnóstico é essencialmente clínico, servindo os meios complementares de diagnóstico para excluir outras doenças. Assenta, sobretudo, na presença de:
- Dor musculoesquelética generalizada, ou seja, abaixo e acima da cintura e nas metades esquerda e direita do corpo;
- Dor com mais de três meses de duração;
- Existência de pontos dolorosos à pressão digital em áreas simétricas do corpo e com localização bem estabelecida.

* Deve ser feito o diagnóstico diferencial com doenças reumáticas inflamatórias, disfunção tiroideia e patologia muscular.

            Há alguns fatores de risco para esta doença, desde os associados com o estado de dor crônica generalizada (idade, sexo, etc.), às características da personalidade pró-dolorosa (perfeccionismo compulsivo, incapacidade de relaxamento e desfrute da vida, incapacidade para lidar com situações hostis, etc.).
           
            Os sinais de alerta para o desenvolvimento da doença são:
- História familiar da doença;
- Síndroma dolorosa prévia;
- Preocupação com o prognóstico de outras doenças coexistentes;
- Traumatismo vertebral, especialmente cervical;
- Incapacidade para lidar com adversidades;
- História de depressão/ansiedade;
- Sintomas persistentes de “virose”;
- Alterações do sono;
- Disfunção emocional significativa;
- Dor relacionada com a prática da profissão.
- O conhecimento destes sinais de alerta torna possível a intervenção precoce e a prevenção, evitando o agravamento da doença e o desenvolvimento de complicações.

            O tratamento da fibromialgia exige cuidados multidisciplinares. No entanto, tem-se mostrado eficaz para o controle da doença:
- Uso de analgésicos e antiiflamatórios associados a antidepressivos tricíclicos ( além de inibidores seletivos de recaptação da serotonina, relaxantes musculares e indutores do sono);
- Atividade física regular;
- Acompanhamento psicológico e emocional;
- Massagens e acupuntura;
- Acompanhamento neurológico.

* Por vezes são necessárias outras formas terapêuticas, bem como a intervenção da reumatologia, psiquiatria e outras especialidades médicas ou diferentes profissionais de saúde. É uma doença que requer acompanhamento médico e avaliações periódicas relativamente à evolução das queixas e aos eventuais efeitos adversos da terapêutica. O acompanhamento depende da gravidade da fibromialgia e de outras doenças associadas.

            Algumas recomendações importantes para que os pacientes que tenham esta doença possam ter uma melhor qualidade de vida são:
- Tome medicamentos que ajudem a combater os sintomas;
- Evite carregar pesos;
- Fuja de situações que aumentem o nível de estresse;
- Elimine tudo o que possa perturbar seu sono como luz, barulho, colchão incômodo, temperatura desagradável;
- Procure posições confortáveis quando for permanecer sentado por mito tempo;
- Mantenha um programa regular de exercícios físicos;
- Considere a possibilidade de buscar ajuda neurológica e neurocirúrgica.




Dr. Aramis Pedro Teixeira - Neurocirurgião (CRM 15844)
Ine - Instituto de Neurocirurgia Evoluir 

(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 - Foz do Iguaçu



2 comentários:

  1. GRAÇAS A DEUS ENCONTRO ALGUÉM QUE FALE SOBRE O ASSUNTO SEM PRIMAZIAR TANTO OS TERMOS TÉCNICOS.

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  2. eU TENHO ARTRITE REUMATOIDE, E DIZ O MEDICO, QUE SEGUE-SE A FIBROMIALGIA TBM... OBRIGADA, POR NOS ESCLARECER MAIS SOBRE ISSO...

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