quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Classificação dos Tumores do Sistema Nervoso Central

Classificação geral dos tumores do Sistema Nervoso Central segundo a Organização Mundial da Saúde

A classificação a seguir  é incluída apenas como um esquema. Em resumo, há nove categorias (e algumas subcategorias) na classificação da OMS:

                            A.  Tumores do tecido neuroepitelial:
1.        Astrócitos:
A.   astrocitomas difusamente infiltrantes (tendem a progredir):
1.         astrocitoma (grau II):
a.       fibrilar;
b.      gemistocítico;
c.       protoplásmico;
d.      misto.
2.         astrocitoma anaplástico (maligno) (glioma grau III);
3.         glioblastoma multiforme (GBM) (glioma grau IV): o astrocitoma mais maligno. Variantes:
a.       glioblastoma de células gigantes;
b.      gliosarcoma.
B.    lesões mais circunscritas (Grau I - não tendem a progredir  para astrocitoma anaplástico e GBM):
1.         astrocitoma pilocítico;
2.         xantoastocitoma pleomórfico ;
3.         astrocitoma subependimal  de células gigantes.
2.       Oligodendrócitos á Oligodendrioma;
3.       Ependimócitos:
A.      Ependimomas:
1.         celular;
2.         papilar;
3.         células claras;
4.         tanicítico.
B.      ependimoma anaplástico (maligno);
C.      ependimoma mixopapilar;
D.      subependimoma.
4.     Gliomas Mistos:
        A.    oligoastrocitoma incluindo oligoastrocitoma anaplástico (maligno);
        B.    outros.
5.     Plexo coróide:
        A.    papiloma do plexo coróide;
        B.    carcinoma do plexo coróide.
6.       Tumores neuroepiteliais de origem incerta:
A.    astroblastoma;
B.    espongioblastoma polar;
C.    gliomatose cerebral.
7.      Neurônios (e tumores neuronal-glial mistos):
A.    gangliocitoma;
B.    gangliocitoma displásico do cérebro (Lhermite- Duclos);
C.    gangliocitoma desmoplásico infantil (GDI);
D.    tumores neuroepiteliais disembrioplásticos;
E.     gangliomas, incluindo ganglioma anaplástico (maligno);
F.     neurocitoma central;
G.    paraganglioma do filo terminal;
         H.    neuroblastoma olfativo (estesioneuroblastoma);
1.     variante: neuroepitelioma olfativo.
8.      Pinealócitos:
         A.    pineocitomas (pinealoma);
B.    pineoblastoma;
C.    tumores pineais mistos/transicionais.
9.      Tumores embrionários:
         A.    meduloepitelioma;
         B.    neuroblastoma;
                      1.      variante: ganglioneuroblastoma.
                         C.    retinoblastoma;
D.    ependimoblastoma;
E.     tumores neuroectodérmicos primitivos (TNEP):
1.      meduloblastoma. Variantes:
a.  meduloblastoma demoplásico;
b.  medulomioblastoma;
c.  meduloblastoma melanótico.
2.      TNEP cerebral (supratentorial) e espinhal.

B.     Tumores das meninges:
1.      Tumores das células miningoteliais:
A.    meningiomas. Variantes:
1.       meningotelial;
2.       fibroso;
3.       transicionais;
4.       psamomatoso;
5.       angiomatoso;
6.       microcístico;
7.       secretórios;
8.       células claras;
9.       cordóide;
10.     rico em linfoplasmócito;
11.     metaplástico.
B.   meningioma atípico;
C.   meningioma anaplástico (maligno).
2.      Tumor mesenquimal, não meningotelial:
A.   neoplasmas benignos:
1. tumores osteocartilaginosos;
2.       lipoma;
3.       histiocitoma fibroso;
4.       outros.
B.   neoplasmas malignos:
1.       hemangiopericitoma;
2.       condrossarcoma:
a.  variante: condrossarcoma mesenquimal.
3.       histiocitoma fibroso maligno;
4.       rabdomiossarcoma;
5.       sarcomatose meningeal;
6.       outros:
a.  p. ex., sarcoma cerebral primário (raro). Pode resultar de alterações sarcomatosas de tumores preexistentes como meningioma, glioblastoma ou oligodendroglioma.
C.    lesões melanocíticas primárias:
1.       melanose difusa;
2.       melanocitoma;
3.       melanoma maligno:
a.  variante: melanomatose meningeal.
D.    tumores de histogênese incerta:
1.       hemangioblastoma (hemangioblastoma capilar).

C.     Tumores dos nervos cranianos e espinhais:
1.       schwanoma (neurinoma). Neuromas acústicos. Variantes:
A.    celular;
B.    plexiforme;
C.    melanótico.
2.       neurofibroma:
A.    circunscrito;
B.    plexiforme.
3.       tumor maligno da bainha dos nervos periféricos (TMBNP) (sarcoma neurogênico, neurofibroma anaplástico, “schwanoma maligno”. Variantes:
A.    epitelóide;
B.    TMBNP com diferenciação divergente mesenquimal e/ou epitelial;
C.    melanótico.

D.     Linfomas e neoplasmas hematopoiéticos:
1.       linfomas malignos;
2.       plasmocitoma;
3.       sarcoma glanulocítico;
4.       outros.

E.      Tumores de células germinativas:
1.       germinomas;
2.       carcinoma embrionário;
3.       tumor do saco vitelino (tumor do seio endodermal);
4.       coriocarcinoma;
5.       teratoma (de todas as 3 camadas de células germinativas):
A.    imaturo;
B.    maduro;
C.    teratoma com transformação maligna.
6.       tumores mistos de células germinativas;

F.      Cistos e lesões tipo-tumor:
1.       cisto da fissura de Rathke;
2.       cisto epidermóide: TCC coleastomas;
3.       cisto dermóide;
4.       cisto colóide;
5.       cisto enterogênico ;
6.       cisto neuroglial;
7.       tumor de célula glanular (coristoma, pituicitoma);
8.       hemartoma neuronal hipotalâmico;
9.       heterotopia glial nasal;
10.     glanuloma de plasmácito.

G.      Tumores da região selar:
1.       células adeno-hipofisais á edenomas pituitários;
2.       carcinoma pituitário;
3.       craniofaringioma. Variantes:
A.    adamantinomatoso;
B.    papilar.

H.      Extensões locais de tumores regionais:
1.       paraganglioma (quimiodectoma):
A.    tumores do glomo jugular.
2.       notocorda a cordomas;
3.       condroma, condrossarcoma
4.       carcinoma.

I.      Remascentes embrionários intracranianos e/ou intra-espinhais:
1.       células adiposas a lipomas (p. ex. do corpo caloso).

J.      Tumores metásticos;

K.     Tumores não-classificados.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Metástases Cerebrais



É crescente a incidência de tumores metásticos entre os tumores primários cerebrais. Atualmente, cerca de 50% de todos os tumores intracranianos são metásticos. Dos pacientes portadores de cânceres de todo o tipo 20 a 40% desenvolverão metástases cerebrais no decurso de sua doença.

As células tumorais atingem o cérebro mais frequentemente pela via hematogênica, através da circulação arterial, e mais raramente pelo plexo vertebral (de Batson). O tumor que mais tem metástase pra o cérebro é o pulmão, e a seguir o de mama, rins, pele, trato geniturinário e gastrintestinal. Mestástases provenientes de cólon, rins e mama são geralmente únicos, enquanto as dos cânceres pulmonares e os melanomas são múltiplas. Estima-se que atualmente 2/3 a ¾ das metástases intracranianas sejam múltiplas.

Os tumores pulmonares dão metástases mais precocemente. Setenta por cento das lesões são encontradas nos hemisférios cerebrais, 15% no tronco cerebral e 15% no cerebelo. Também ocorrem mais lesões metastáticas no território de irrigação da artéria cerebral média. Dentro do tecido cerebral, encontram-se mais metástases onde há estreitamento nos vasos sanguíneos, que atuam retendo as células tumorais.


As metástases podem ser infiltrações leptomeníngeas difusas ou multifocais(carcinomatose meníngea), quando facilmente se disseminam pelo líquido cefaloraquidiano. Este tipo de metástase é mais comum em linfomas e leucemias. As metástases sólidas intracranianas são geralmente circunscritas, nodulares, com necrose em seu interior e quase que invariavelmente acompanhadas de muito edema peritumoral, o qual piora a intensidade dos sintomas. Seu tamanho varia de milímetros a alguns centímetros.


Quadro Clínico
                O quadro clínico é semelhante ao de outros tumores intracranianos:
- Cefaléia  de pequena intensidade que vai progressivamente aumentando;
- Vômitos devido à pressão intracraniana elevada;
- Edema da papila óptica
- Sinais neurológicos deficitários, relacionados com a localização da lesão;
* Obs.:  Alguns tipos de metástases, principalmente os melanomas, podem apresentar hemorragia intratumoral, que ocasiona déficits neurológicos agudos e súbitos, muitas vezes como primeiro sintoma da doença.
                               Diagnóstico
                O método de escolha para diagnóstico das metástases cerebrais é a ressonância magnética e em segundo lugar a tomografia computadorizada. Na presença de uma lesão suspeita, sem evidencia de foco primário, deve-se investigar inicialmente o pulmão, que é a principal fonte de metástases cerebrais. Sendo negativa essa pesquisa, é preciso prosseguir com exames de mama, próstata, trato gastrintestinal e geniturinário. Não se conseguindo diagnosticar a lesão primária, pode ser necessária uma biópsia cerebral estéreotáxica para verificar o topo histológico da lesão.
                               Tratamento
                O tratamento das metástases cerebrais é quase sempre temporário, pois raramente consegue-se a cura do paciente. A cirurgia seguida de radioterapia é a melhor forma de tratamento para metástases únicas, tanto em relação à qualidade, quanto em sobrevida. Muitas formas de tratamento podem ser utilizadas nas metástases cerebrais, como: Corticosóides, radioterapia, radiocirurgia, branquiterapia intersticial, quimioterapia, cirurgia ou uma combinação de várias delas.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Tumor Cerebral


É um tumor intracraniano resultado de um processo expansivo em uma parte dos tecidos cerebrais, que ocorre devido a uma multiplicação desordenada das células. Pode ser benigno (não é agressivo, não se propaga aos órgãos adjacentes e na maioria das vezes  é relativamente fácil de remover) ou maligno associado à neoplasia (invade e destroi tecidos adjacentes). Pode espalhar-se para outros lugares do corpo (câncer metastático), chegando a alcançar vários graus.
Existem vários tipos de tumores cerebrais, os mais comuns são:
- Gliomas - Astrocitomas, oligodendrogliomas, oligoastrocitomas, ependimomas, subependimomas, entre outros.
- Astrocitoma – Tumor frequente em crianças, infratentoriais, presentes no tronco e no cerebelo (parte de baixo, atrás no cérebro que controla movimentos, equilíbrio e respiração.  É formado por células neurogliais  em forma de estrela, ocupando espaço encefálico e promovendo grandes compressões. Em adultos são mais comuns supratentoriais e periventriculares, podendo invadir grandes áreas da substância branca do cérebro ou da medula espinhal.   Podem ser divididos em baixo grau de malignidade (astrocitoma grau 1 ou grau 2) e alto grau de malignidade (astrocitoma anaplásico ou tipo 3, e glioblastoma multiforme ou grau 4, sendo este último muito maligno, de difícil tratamento, com pouca resposta terapêutica, muita recidiva e infiltrativo, com prognóstico reservado e  pouco tempo de sobrevida, às vezes, menor que 6 meses).
- Meningiomas –  Tumor benigno que se desenvolve nas meninges (originários nas membranas que envolvem o cérebro e a medula). Quando um meningioma aumenta de volume, desenvolve-se uma síndrome de hipertensão intracraniana causada pelo efeito massa ou edema intracelular ou vasogênico do tumor no interior do crânio, exercendo pressão cada vez maior sobre o cérebro. Provoca sintomas como dores de cabeça, cansaço, convulsões e perturbações mentais. O envolvimento do crânio por esses tumores pode decorrer desde erosão óssea devido ao efeito compressivo até um espessamento do osso devido à infiltração de células tumorais. É bem delimitado e dificilmente se torna maligno.
- Tumores da calota craniana – Ex.: Osteomas e displasias fibrosas. A suspeita clínica de uma neoplasia envolvendo a caixa craniana é baseada em: défict neurológico progressivo (68%), frequentemente fraqueza motora (45%), dor de cabeça (54%), convulsões (26%) e, em alguns casos, deformidade no crânio.
- Tumores endocrinológicos (envolvendo as glândulas do cérebro) – Ex.: Adenomas de hipófise, prolactinomas, germinomas, pinealomas, entre outros. Geralmente produzem hormônios, podendo causar diminuição da libido, alteração menstrual, galactorréia, ginecomastia, alteração do crescimento e distúrbios hidro-eletrolíticos.
O fator mais importante no surgimento de um tumor no cérebro é o genético (se há tendência na família, oncogenes, etc.). Outros fatores são:  agrotóxicos da piramide alimentar, a exposição contínua a venenos, radioterapias, traumatismos de crânio, stress, etc.
A cefaléia, um importante fator, é descrita como sendo pior pela manhã e é exacerbada pela tosse e esforço físico. É associada a náuseas e vômitos (em 40% dos casos), crises convulsivas, tontura, cegueira, surdez e perda da força, podendo ser aliviada temporariamente pelos vômitos. A combinação desses fatores juntamente com a presença de défict neurológico focal  e ao histórico clínico do paciente pode levar a suspeita de tumor no cérebro.
           Os sintomas variam de acordo com a região do cérebro que é atingida. Por exemplo, se este afetar a parte do lobo frontal o paciente terá psicoses, alterações emocionais graves e paralisias; se acometer o nervo óptico, pode ocasionar cegueira e alterações oculares; se for de lobo temporal, poderá prejudicar o nervo do ouvido e causar sintomas como convulsões e alterações auditivas, perdas do movimento com paralisia de membros, alterações endocrinológicas (hormonais); já na parte posterior podem ocorrer alterações visuais, desequilíbrio e falta de coordenação motora.

         O diagnóstico de certeza de um tumor cerebral é dado por exames complementares como a tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética,  eletroencefalograma, raios-X de crânio e/ou coluna e também o histórico clínico do paciente.
Imagem de ressonância magnética – Glioblastoma, tumor cerebral mais comum e agressivo em humanos.

          Qualquer tumor expansivo que exerça pressão no cérebro, seja benigno ou maligno, deve ser retirado, pois pode levar a isquemia dos órgãos e causar paralisias, cegueiras, convulsões, e até mesmo ao óbito. O tratamento é similar ao realizado para tratar tumores em outras regiões do corpo, baseando-se em biópsia do tecido cerebral (análise do exame anátomo-patológico), remoção cirúrgica total ou subtotal , radioterapia, quimioterapia ou tratamentos com esteróides, sendo únicos ou combinados. Tudo depende da manifestação clinica, localização, dimensão, multiplicidade, infiltração de tecidos normais adjacentes, e do estado geral do paciente. Caso sejam benignos, únicos, com a remoção completa poderá haver cura. Nos casos de tumores múltiplos ou com invasão em outros órgãos (metástases), malignos, ou com ressecção incompleta, o tratamento pode ser cirurgia  com complementação de radioterapia e quimioterapia, tudo dependendo do subtipo, comportamento e estádio do tumor. 

 Veja mais algumas informações sobre tumores cerebrais neste vídeo do Dr. Aramis participando do Programa Destaque do SBT.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Herpes Zoster


É uma doença viral causada pelo Varicella-zoster virus, o mesmo vírus causador da varicela (catapora). Manifesta-se em quem já tenha contraído a varicela na infância, porém pessoas que nunca tiveram contato com este vírus anteriormente, podem adquirir o Herpes Zóster por ser contagioso.
Na infância, o primeiro contato com o vírus pode ocasionar varicela ( catapora - lesão vesiculosa que é caracterizada por provocar coceira no local, vermelhidão, mialgias e febre). Após a varicela, esse vírus fica incubado por muito tempo e pode vir a se manifestar se o paciente desenvolver um período de imunodepressão (baixa imunidade). A imunodepressão pode ser causada por diversos fatores: tumores (linfomas), AIDS, stress, leucemias, má alimentação, etc.
Antes do surgimento das lesões na pele, pode-se sentir com mal-estar geral, dor de cabeça, febre, dores nos nervos, perda de sensibilidade, ardência e coceira local  devido à  inflamação do nervo. Acomete a pele com erupções cutâneas, rubor, calor e sensação de febre local (queimação).
As manifestações cutâneas iniciam-se por vesículas (bolhas pequenas) sobre uma base avermelhada na pele. Em alguns dias, as lesões secam e formam crostas que serão liberadas gradativamente, deixando discretas manchas no local que tendem a desaparecer. As manifestações limitam-se a um lado do corpo, por onde passa o nervo atingido, sendo raro o acometimento bilateral.

 O vírus é caracterizado por seguir o trajeto do nervo, com maior freqüência nos intercostais, provocando manifestações no tronco. 

Outros nervos também podem ser afetados e quando atingem os nervos da face, onde chegam a provocar úlceras na córnea, cegueira, surdez, encefalite herpética(quando ataca o Sistema Nervoso Central) e até mesmo causar o óbito.

No decorrer da doença as dores podem se agravar, tornando-se insuportáveis, principalmente quando atinge pessoas mais idosas. A dor melhora gradativamente, pode permanecer por meses ou anos após o final do quadro cutâneo, caracterizando o quadro de neuralgia pós-herpética.

O tratamento deve ser iniciado assim que se surgirem os sintomas, visando evitar o dano irreparável ao nervo atingido que resultará em neuralgia pós-herpética. Analgésicos opióides e medicamentos antivirais mostraram-se eficazes no combate à dor e no controle da doença, porém devem ser indicados por um médico neurologista de acordo com cada caso.


- Recomendações:
* Evite aproximar-se de crianças, mulheres grávidas ou adultos que não tenham tido catapora, pois o risco de contrair essa doença aumenta quando entram em contato com o vírus do herpes-zóster;
* Consulte imediatamente um médico se notar alguns dos sintomas que possam caracterizar esta doença;
* Se tem mais de 50 anos, está debilitado por algum motivo ou com uma carga muito grande de stress, não se automedique mesmo se reconhecer os sintomas da doença. Procure atendimento médico imediato.
Para se previnir a herpes zoster, é interessante ingerir muitas frutas, vitaminas e manter o metabolismo saudável. Para crianças e pessoas de idade avançada é recomendável que tomem a vacina contra a doença. Esta também pode ser recomendada para adultos que nunca tenham contraído Varicela. 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Acidente Vascular Cerebral


   

O Acidente Vascular Cerebral é a doença que mais causa morte e incapacitação física no Brasil, superando até mesmo fatalidades causadas por infartos cardíacos.
Popularmente chamado de Derrame Cerebral, ocorre quando há entupimento ou rompimento em alguma parte dos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro, causando assim, perda rápida de função neurológica. Como resultado deste distúrbio na circulação cerebral, acontece a redução do oxigênio às células cerebrais no local do dano. Ao ser privado do oxigênio trazido pelo sangue, uma parte do cérebro pode ficar lesionada e, dependendo de onde ocorrer essa lesão, as sequelas terão diferentes manifestações. O paciente pode apresentar paralisias ou dificuldade de movimentação dos membros de um mesmo lado do corpo, problemas com a fala, com a memória e distúrbios visuais, cegueira temporária em um dos olhos (que podem acontecer todos de uma vez ou isoladamente). Podendo ainda evoluir com coma e outros sinais.
Trata-se de uma emergência médica que pode evoluir com sequelas ou morte, sendo a rápida chegada no hospital importante para a decisão terapêutica. Até aproximadamente três  horas após o início de um AVC, é possível reverter o quadro. Quanto mais rápido, maiores as chances do problema não deixar nenhum déficit. O tratamento é feito à base de trombolíticos (substâncias que podem dissolver o coágulo) ou mesmo com equipamentos que removem mecanicamente a placa de gordura ou tardiamente feita a remoção do coágulo ou da hemorragia através de procedimento neurocirúrgico.
Vários fatores influenciam na origem do acidente vascular cerebral, entre eles estão: a hipertensão arterial, doença cardíaca, fibrilação atrial, diabetes, tabagismo, colesterol elevado. Outros fatores que podemos citar são: o uso de pílulas anticoncepcionais, álcool, ou outras doenças que acarretem aumento no estado de coagulabilidade (coagulação do sangue) do indivíduo
                                      Cerébro de pessoa vítima de AVC
O AVC pode ser dividido em duas categorias: 
- Acidente Vascular Isquêmico: Oclusão de um vaso sangüíneo que interrompe o fluxo de sangue a uma região específica do cérebro. Em torno de 84% dos acidentes vasculares cerebrais são isquêmico e dentre eles os diabéticos, hipertensos e idosos são mais suscetíveis.
- Acidente Vascular Hemorrágico: Hemorragia (sangramento) local, com outros fatores complicadores, como aumento da pressão intracraniana, edema (inchaço) cerebral, entre outros, levando a sinais nem sempre focais. Menos de 16% dos acidentes vasculares cerebrais são hemorrágicos. As principais causas são o desequilíbrio pressórico (subida rápida da pressão arterial) associado a aneurismas cerebrais (dentre eles os de circulação anterior são os mais comuns) ou má formações arteriovenosas.

Existem alguns fatores que ajudam a previnir a doença, entre eles estão: Parar com o tabagismo, optar por uma dieta com pouca gordura e balanceada, controlar a obesidade, a pressão arterial ou diabetes , reduzir o stress (viagens, férias, atividade física regular, manter no mínimo 8 horas de sono regular, atividade sexual freqüente sem uso de vasodilatadores, etc). Controlando estes fatores, são menores as chances de ter um AVC em algum momento da vida. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Perigo dos Anorexigenos e Seus Efeitos no Cérebro

                          

          A busca incansável pelo corpo perfeito tem levado algumas pessoas a tomarem decisões que podem prejudicá-las para o resto de suas vidas. O consumo dos famosos remédios para emagrecer, tecnicamente chamados de anorexígenos,  vem aumentando consideravelmente, sendo que o Brasil tornou-se o maior consumidor  mundial deste tipo de medicamento. Segundo a lei brasileira estes remédios à base de anfetamina só podem ser vendidos mediante receita médica, porem mesmo assim ainda há venda indiscriminada em farmácias e também fabricação dessas substâncias ilegalmente em laboratórios clandestinos. Aqui em Foz do Iguaçu este fato se agrava ainda mais devido à fronteira com o Paraguay, país onde se consegue facilmente tais medicamentos.

          O uso abusivo crescente destes anorexígenos, substâncias com principio ativo a base de fenproporex, anfepramona e mazindol, tem causado danos irreversíveis a saúde de muitas pessoas. A indicação para este tipo de remédio seria em pessoas com IMC (Índice de Massa Corporal) bem acima de 30 e infelizmente não é bem assim que acontece. Homens e mulheres acabam deixando de lado sua saúde para obter um corpo bonito e apelam para esta falsa solução. O correto também é ser feito todo um estudo corporal, envolvendo índice de massa magra e percentual de gordura e água no organismo, que podem ser evidenciados facilmente por um profissional habilitado (endocrinologista, nutricionista, nutrólogo, etc.) ou através de exames como a bioimpedanciometria e medidas de pregas. Também deve-se levar em conta as comorbidades associadas: hipertensão, arritmia cardíaca, infartos cardíaco ou cerebral, insuficiência renal, insuficiência hepática, insuficiência cardíaca, etc.

          Remédios como  Desobesi-M, Inibex, Dualid, Hipofagin (Fenproporex, anfrepramona, mazindol), agem diretamente no Sistema Nervoso Central , onde seu mecanismo de ação se concentra no hipotálamo, estimulando uma maior produção de noradrenalina (neurotransmissor), inibindo, assim, o apetite. Já a Sibutramina, leva a outro neurotransmissor, como a cerotonina, dopamina, mas seu efeito também leva a diminuição da fome. Esse tipo de remédio que age no Sistema Nervoso Central transforma-se em anfetamina, causando dependência química e com o passar do tempo, a pessoa se obriga a tomar uma dosagem maior para que tenha efeito.

      Existem também os remédios fitoterápicos, como Faseolamina (derivado do feijão branco), Slendesta (derivado da batata) que agem perifericamente, não agindo no Sistema Nervoso Central, mas sim inibindo ou aumentando enzimas como amilase e colestiramina, diminuindo a vontade de comer  de forma mais branda.

         Outra classe muito usada são os termogênicos, que agem aumentando o metabolismo do indivíduo, propiciando uma maior queima de gordura. Mas também se deve evitar os que contenham grande quantidade de efedra (efedrina), que podem aumentar muito a pressão arterial e acarretar problemas de infarto.
          

    
 O acompanhamento médico é indispensável em todos os casos. Por melhor que se tenha ouvido falar de algum remédio para emagrecer, o paciente deve procurar auxilio médico em qualquer situação, pois o risco de tomar esse medicamento sem orientação pode causar sérios problemas a saúde. Entre estes problemas estão: perda de potássio, depressão, psicoses, paradas cardíacas, derrame, podendo levar ate mesmo a morte.



Viva uma vida saudável, pois de nada adianta alcançar a tão esperada beleza sem ter saúde, não é mesmo?

Quer uma dica? A melhor receita para o emagrecimento saudável é a prática exercícios físicos regularmente, principalmente aqueles que aumentam o metabolismo (aeróbicos) e a queima de gorduras e, é claro, uma dieta balanceada.  Esqueça os remédios para emagrecer, estes devem ser utilizados apenas em casos extremos e voltando a dizer, com realização exames e estudos corporais, feitos por médicos e especialistas confiáveis. Procure em sua dieta, ingerir carboidratos apenas até o meio-dia (granola pela manha, aveia, arroz integral, bolachas, massas e paes), após este período, de ênfase nas proteínas, tanto animais, quanto vegetais (saladas, verduras, frangos, queijos, peixes, etc.). Antes de dormir, ingira um iogurte ou uma proteína para que aumente o metabolismo e voce emagreça. Coma de 3 em 3 horas e em pequena quantidade. Mastigue bem e várias vezes. Demore para engolir. Tenha certeza de  que estas sao as melhores maneiras de se perder peso com saude.




 
                        Evite os excessos, o sedentarismo e as ‘’fórmulas mágicas’’.

A seguir, daremos o exemplo de uma paciente nossa, chamada Ana Paula. Ela tem 29 anos, é  jovem, bonita e não era gorda. Fez uso do remédio Desobesi-M para perder alguns quilinhos com rapidez e acabou tendo sérias complicações, como depressão e derrame. Tomou anorexígeno durante 4 meses por indicação de uma amiga, perdendo 10 kg. Ela consultou um médico, porém este não a deixou ciente dos problemas que ela poderia ter no futuro, dizendo apenas que havia risco de complicações se não houvesse adaptação ao remédio e se isso acontecesse, precisaria somente fazer a troca do medicamento.

        O grande erro dela foi ter tomado grande quantidade do remédio (2 cápsulas por dia) e por um período muito longo (4 meses).

         Os efeitos colaterais  para a paciente nas primeiras semanas foram os que a maioria das pessoas que faz o uso sente como agitação, insônia, dor de cabeça, irritação, tontura, tremores. Em seguida teve taquicardia, palpitações, arritmias cardíacas. Foi quando a situação se agravou ainda mais, com depressão, stress, histeria, psicoses e crises convulsivas, levando-a urgentemente para o hospital.

        Chegou ao pronto-socorro em surto histérico, totalmente confusa, tendo alucinações, com um quadro de leve paralisia na boca, dificuldade para falar e diminuição da forca nos braços e pernas do lado esquerdo. O quadro foi acentuando-se no decorrer do tempo, a ponto de ficar completamente paralisada, desacordada por dias, com múltiplos infartos cerebrais em vários pontos.

    A paciente foi atendida pelo neurologista Dr. Aramis Pedro Teixeira e graças ao atendimento rápido e o forte tratamento feito para derrame e isquemia, com remédios, fisioterapias, e acupunturas, ela foi melhorando aos poucos.

       Mesmo após o tratamento, ainda restaram algumas seqüelas. Entre elas, dores fortes e tremores nas mãos, diminuição da forca motora dos membros inferiores e superiores esquerdos e dificuldade para caminhar.

         Ana Paula passou por todas estas dificuldades, sendo que poderia simplesmente ter sido submetida a outro tipo de tratamento para perder estes quilos indesejáveis e  ficar ainda mais bonita e saudável. Entretanto hoje ela vive em função da sua recuperação, tentando superar seus limites para voltar a viver normalmente e deixa seu exemplo como lição de vida a ser seguido.


Dr. Aramis Pedro Teixeira - CRM 15844
www.draramis.com
(45) 3025-3585

sexta-feira, 1 de julho de 2011

SINUSITE

SINUSITE

                      
É uma inflação dos seios da face (paranasais) que são um grupo de cavidades aeradas que se abrem dentro do nariz e se desenvolvem nos ossos da face.
Geralmente é ocasionada por infecções bacterianas virais, fúngicas ou processos alérgicos.
 A incidência é maior em crianças e adolescentes dependendo da localidade, sendo mais comum em regiões frias e com grandes variações climáticas.
Está fortemente associada a outras infecções das vias superiores, como rinite, asma, bronquite, amigdalite, faringite e pacientes com tendência a doenças alérgicas.

                                 Ilustração dos seios paranasais

A sinusite pode ser aguda ou crônica:
Aguda - Geralmente ocasionada por uma gripe ou um quadro viral recente que causa  cefaléia, mal-estar respiratório, congestão nasal (nariz entupido), dor na face (sensação de peso facial) onde toda a região parece inchada. Algumas vezes apenas a secreção na orofaringe incomoda a pessoa, tendo que engolir a saliva várias vezes com a sensação de afogamento ao deitar, causando dificuldade para dormir.
A sinusite aguda pode levar a febre e mialgia generalizada (dor no corpo).
Também se enquadram nas sinusites agudas as infecções pós-cirúrgicas nos seios paranasais, mas podem ser crônicas se a infecção durar mais de 30 dias ou houverem reinfecções ou reincidivas.

Crônica -  Consiste na presença de cistos mucosos dentro da cavidade paranasal, mas pode ser ocasionada por fungos ou infecções bacterianas mal curadas.
Os sintomas são menos evidentes, ocasionando em dores na cabeça e cheiro desagradável nas narinas. A recidiva da infecção e comum, podendo fazer vários quadros semelhantes de sinusite aguda.
*Obs.: O tratamento incorreto de uma sinusite pode gerar algumas  complicações, tais como: Mastoidites, Otites (infecção no ouvido), Meningites, Encefalites e ate mesmo infarto cerebral com trombose de seio cavernoso.

Sensação de peso na face, decorrente da sinusite

 DIAGNÓSTICO:
Uma vez que o nariz pode ficar entupido com o resfriado comum, pode-se confundir uma simples congestão nasal com sinusite. Porém o resfriado geralmente dura de 7 a 14 dias e desaparece sem tratamento. Já a sinusite aguda dura mais e normalmente causa mais sintomas do que um simples resfriado. O médico geralmente diagnostica a sinusite aguda ao perguntar sobre os sintomas do paciente e fazer exame físico, o qual inclui examinação dos tecidos nasais. Se os sintomas forem vagos ou persistentes, é aconselhável tomografia e ressonância da face ou crânio para confirmar a sinusite. 
*Obs.: O raio X da face nem sempre evidencia com clareza uma sinusite.

  TRATAMENTO:
- Inalações e vaporizações (que podem ser preparadas pelo cozimento de folhas de eucalipto) ;
- Aplicações de cremes canforados;
- Antibioticoterapia adequada;
- Antiinflamatórios e analgésicos;
- Drenagem cirúrgica;
- Descongestionantes nasais;
- Lavagem das narinas com soluções fisiológicas a 3%;
- Uso de inalatórios com puffs a base de corticóides.
*Obs.: O uso indiscriminado de descongestionantes ou vasoconstritores de uso tópico pode levar a serias complicações ou efeitos indesejáveis. Em alguns casos podendo ocasionar uma rinite vasomotora, criando dependência do vasoconstritor. Seu uso em altas doses também pode levar a isquemia cerebral e trombose de seio sagital superior por vasoconstrição ascendente (fechamento da parede do vaso) das artérias do assoalho da base do crânio e artérias cerebrais anteriores, desencadeando infarto cerebral e paralisias dos membros.

                 PREVENÇÃO 
      Algumas medidas que podem prevenir as sinusites são:

- Ter cuidado com a saúde para se evitar as infecções virais;
- Manutenção da permeabilidade nasal durante essas viroses com uso de descongestionantes de preferência a base de soro fisiológico e sem vasoconstritor;
- Fazer o correto tratamento dos problemas alérgicos;
- Fazer a correção cirúrgica de eventuais desvios septais e/ou cornetos nasais obstrutivos.
- Se estiver diante de uma gripe que não melhora, procure seu medico, pois isto pode ser sinusite.

*Obs.: Quem vive em regiões frias ou com grandes variações climáticas ao longo dos dias ou meses, deve tomar cuidados mais intensos pela propensão maior da doença.



Veja mais algumas informações neste vídeo do Dr. Aramis no Programa Destaque do SBT, exibido no dia 15/06/2011.