sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cefaléia Tensional

             
              É a dor de cabeça mais comum que existe, causada devido à tensão muscular provocada principalmente pelo estresse, ansiedade, raiva, cansaço e pressões do dia-a-dia. Localiza-se na fronte, nuca, ou têmporas (lados da cabeça), como houvesse uma faixa fazendo pressão, latejando sem alívio. Está associada na maioria das vezes à contrações musculares do pescoço e ombros. É de intensidade leve a moderada e pode durar desde algumas horas até uma semana inteira. Ocorre em qualquer idade e é mais frequente em mulheres. 


             É comum que a cefaléia tensional seja desencadeada por momentos de estresse ou conflitos, mas ainda pode evoluir para uma forma crônica, onde a dor persiste mesmo que não haja mais estímulo estressor.

             Outros sintomas que pessoas com cefaléia tensional tem são:
- Músculos tensos e contraídos na região do pescoço e cabeça;
- Tensão muscular na nuca, ombros e costas;
- Dificuldade para dormir;
- Fadiga;
- Cansaço;
- Redução do apetite;
- Dificuldade de concentração.

             As cefaléias tensionais manifestam-se geralmente de manhã ou às primeiras horas da tarde e pioram ao longo do dia. Muitas vezes, sente-se uma dor moderada sobre os olhos ou a nuca, ou então uma sensação de pressão forte que pode acompanhar a dor. Esta pode abranger toda a cabeça e por vezes irradiar para trás, para a nuca até aos ombros.

             Possui sintomas muito parecidos que a enxaqueca, mas diferencia-se na localização, duração, freqüência das crises e não é acompanhada por enjôos, vômitos, aversão à claridade e barulho. Mas pode haver aumento da sensibilidade a sons ou luz.

             Algumas situações que costumam provocar a dor de cabeça tensional são:
- Trabalhar na mesa do computador por longos períodos de tempo;
- Má postura;
- Flexão lateral do pescoço prolongada, como por exemplo segurar o fone com o ombro;
- Tensão no olhos;
- Estresse;
- Ansiedade;
- Álcool
- Cafeína (em excesso ou abstinência);
- Gripe e resfriado;
- Problemas odontológicos como apertamento da mandíbula ou bruxismo;
- Fumo em excesso;
- Cansaço;
- Congestão nasal;
- Esforço excessivo;
- Sinusite.

             Há dois tipos de cefaléia tensional: a crônica e a episódica. Uma dor de cabeça episódica geralmente não é tão grave, é temporária e pode ser tratada com remédios. Já a crônica é mais grave, ocorre duas ou mais vezes por semana durante vários meses e pode ser resultado do tratamento insuficiente ou excessivo de uma cefaléia episódica.

             É possível freqüentemente prevenir ou controlar as cefaléias tensionais evitando ou entendendo o stress que as provoca e procurando remédio para ele. Uma vez iniciada a cefaléia, esta pode ser aliviada com massagens suaves nos músculos do pescoço, dos ombros e da cabeça ou deitar e relaxar durante alguns minutos.


             Pode obter-se um alívio rápido e temporário com analgésicos de venda sem prescrição médica, como aspirina, paracetamol ou ibuprofeno. As cefaléias agudas podem responder aos analgésicos mais potentes de venda com prescrição médica.

             No caso das cefaléias provocadas por stress ou depressão crônicos, os analgésicos não fazem efeito porque não tratam os problemas psicológicos subjacentes. A psicoterapia pode beneficiar os doentes com cefaléias provocadas por conflitos sociais ou psicológicos. Mas quase sempre é necessário o uso de antidepressivos ou miorrelaxantes.

             Existem algumas práticas simples que se feitas no dia-a-dia podem evitar os sintomas da dor de cabeça tensional:
- Fazer pequenas interrupções quando estiver trabalhando e exercitar/alongar ombros e pescoço;
- Procurar aliviar o estresse e ansiedade com atividades relaxantes como yoga, pilates, escutar música, massagem, etc;
- Elevar o nível de atividade física com corrida, natação, academia, etc;
- Usar um travesseiro diferente ou mudar a posição ao dormir;
- Dormir e descansar bem;
- Melhorar a postura;
- Massagear os músculos doloridos.

             Estas práticas além de ajudar a prevenir a cefaléia tensional, ajudam a aliviar a tensão muscular, basta tornar estas atividades hábitos diários.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dia do Médico


“ Ser Médico é ... 


É Aliviar sofrimentos, penetrar fundo nos tormentos da humanidade.
Dar de si profundamente, sentir a dor do doente, se doar por inteiro.
Romper o nevoeiro que separa vida e morte. 

É Ser uma vida a dar vidas, a mão que cura feridas, a palavra que conforta o olhar compadecido.
Ser o amigo que transmite confiança ao velho, ao jovem, à criança.
Ser de Deus o instrumento, dando alívio à dor alheia.

É Tecer fibra a fibra uma teia seguindo o seu juramento.
Ter na mão a leveza, agir com delicadeza.
É ver em cada criatura o pai, a mãe, o filho, o parente, para que seu trabalho apresente o dom verdadeiro da cura.

Ser médico não é apenas ter uma profissão, mas sim, uma paixão!

O Remédio mais importante para o tratamento de um paciente é composto por respeito, carinho, dedicação, habilidade, experiência e confiança oferecido a vocês a cada consulta, tendo como princípio amar a Deus e a profissão. Feliz Dia do Médico a todos nós amantes dessa maravilhosa profissão.

Medico Neurocirurgiao

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dor de Cabeça


            A dor de cabeça ou cefaléia é um mal que atormenta milhões de brasileiros. Pode ser provocada por diversos fatores como extensão da musculatura dos ombros, pescoço, crânio e face, problemas neurológicos, hipertensão, disfunção tempromandibular, ansiedade, depressão, irritação e ainda:
- Contrações musculares: provocam tensões nos músculos da face e do pescoço principalmente associados ao estresse, cansaço e outros.
- Dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais: ao se dilatarem pressionam os nervos e provocam a dor.
- Infecção ou aumento da pressão cerebral: também conhecida como dor secundária, é provocada quando há alguma doença como sinusite, tumores cerebrais, meningite, etc.

             Existem vários tipos de dor de cabeça, entre elas:

    1- Enxaqueca: Considerada uma dor de cabeça primária, pois não causa alterações estruturais no cérebro e não deixa seqüelas físicas. As mulheres são as principais vítimas desse mal de fundo genético, que piora com o esforço físico e a movimentação da cabeça, fazendo com que a pessoa queira ficar em repouso. Alguns exemplos de tipos de dor de cabeça são: Comum, Clássica, Complicada, Equivalente, Hemiplégica, Em Salva, Da Artéria Basilar, etc. 


     
    2- Cefaléia Tensional (Vasomotora): A mais comum que existe. É causada por falta de sono, estresse e cansaço ou por algum acidente que afete a musculatura do pescoço. Costuma ser de intensidade leve à moderada, na cabeça inteira, como se fosse uma faixa em aperto ou pulsátil, mais intensa na região bitemporal e nucal. 


     3- Cefaléia de Horton (Cefaléia do Trovão): Não tão comum como as dores de cabeça primárias, é caracterizada por crises de forte intensidade, em que a sensação de dor se assemelha à de levar "facadas" ou como um raio que atinge a cabeça. Segundo especialistas, as causas dessa dor ainda são desconhecidas, mas parece haver uma disfunção em um núcleo de uma importante estrutura cerebral chamada hipotálamo. Atinge principalmente os homens. Uma de suas características é a de aumentar com o repouso, o que faz com que o doente fique agitado com a intensidade da dor. 


 
    4- Cefaléia Tipo Cluster ou Histamínica: Geralmente é uma dor retroorbitária (atrás do olho), unilateral, pulsátil, causando lacrimejamento, coriza, olhos vermelhos e sensação de cabeça cheia, como se fosse uma crise alérgica. 

     5- Cefaléia Crônica Diária: Dor diária, em qualquer lugar da cabeça, associada a distúrbios do humor, stress, fadiga crônica, etc.

     6- Cefaléias Mistas: Dois ou mais tipos de cefaléia associados. Geralmente apresentam enxaqueca e cefaléia tensional.

 
    7- Cefaléias Secundárias: 
- Cefaléia da Hipertensão Intracraniana: A dor de cabeça também pode ser sintoma de alguma doença grave, como tumores e meningite, hidrocefalias, etc. Nesses casos, a recomendação é procurar um médico imediatamente.

-Cefaléia por Fadiga dos Músculos Oculares: Costuma se apresentar como um "peso" sobre os olhos, e se caracteriza por aumentar no final do dia. E se deve ao grande esforço para enxergar naqueles com dificuldade visual.

- Cefaléia Inflamatória: Dor causada pela Sinusite, aparece junto com outros sintomas, como vias respiratórias congestionadas (especialmente o nariz), febre e sensação de plenitude da face. É diária e às vezes inala odor fétido pelas narinas.


- Cefaléia da Hipertensão: Concentra-se mais na nuca. Deve ser observada com muita atenção, pois a hipertensão pode causar Acidentes Vasculares Cerebrais (derrames).

- Cefaléia Hemorrágica: Ocorre devido à hemorragia intracraniana ou subaracnóidea. Início súbito, intensa, geralmente com vômitos, déficit motor e rebaixamento do nível de consciência, podendo chegar ao coma.

- Cefaléia Pós-Trauma: Geralmente ocasionada por uma síndrome pós-concussão cerebral associada à trauma de crânio sem sangramentos.

- Cefaléia Pós-Cirúrgica: Após procedimentos neurocirúrgicos como craniotomias, trepanações, ocasionando fibroses e neo-inervações.

- Cefaléia associada à malformação congênita: Ocorre em crianças com déficit psicomotor, alterações cerebrais, onde existe falta ou dismetria de porções do cérebro.


- Cefaléia do Idoso: Geralmente ocasionada pela atrofia cerebral em pacientes com idade avançada, causando irritabilidade cerebral e alterações vasculares.


- Cefaléia Cervicogênica: Associadas a doenças degenerativas da coluna cervical (artroses, compressões neurais, discopatias, etc.)

- Cefaléia Sexual: Ocasionada por atividade física intensa, antes, durante ou após o sexo. Mais comum em homens e muitas vezes após orgasmo.

- Cefaléia Hormonal: Geralmente em mulheres, perimenstruais ou associadas à tensão pré-menstrual e associadas a alterações vasomotoras, principalmente devido ao uso de estrogênio nos contraceptivos. São freqüentes em jovens com ovários policísticos.


            A maioria das cefaléias exige um longo período de tratamento para a cura ou para diminuir a intensidade das crises.

            Alguns sinais devem servir de alerta, o primeiro deles é quando a dor é aguda, ou seja, a pessoa nunca teve dor de cabeça e de repente passa a ter dor. Outro sinal de risco é quando a dor vem associada a outros sintomas: presença de febre, vômitos e alguns sinais neurológicos, como visão dupla, alteração da visão e paralisias faciais.

            Para o tratamento da Dor de Cabeça, o primeiro passo é procurar um médico e relatar o histórico das dores: Quantas vezes aparecem por dia, quanto tempo duram as crises, qual a intensidade e o local. Toda dor de cabeça tem uma causa e só o médico pode diagnosticar com exatidão que tipo de tratamento se deve seguir. 

            Há dois tipos de tratamentos: o de crises, para quando a dor está presente, que é feito com medicamentos analgésicos e antiinflamatórios; e o profilático, que tem ação preventiva. Este último pode durar de 2 a 5 anos e é utilizado em casos de dores mais fortes, como a da enxaqueca.


            Todo tratamento, deve ser acompanhado por um médico, de preferência um neurologista. Só ele poderá indicar remédios e decidir o momento em que o tratamento deverá ser interrompido. A idéia de que a dor de cabeça é um desconforto, que 'faz parte da vida' e pode ser curada por um simples analgésico, está errada e prejudica o tratamento.

            Sem o acompanhamento de um médico, acontece a comum história da indicação de parentes e amigos, as pessoas costumam tomar qualquer analgésico, aumentam sempre a dose dos remédios e consomem medicações ao menor sinal de dor, para evitar uma crise forte. Nada pior. “Os analgésicos e outras medicações para o alívio da dor podem perpetuar a cefaléia, que, nessas condições, torna-se um problema crônico diário”. O abuso de analgésicos pode aumentar a freqüência e a intensidade da dor. Então aquelas pessoas que tomam estes remédios mais de duas vezes por semana devem procurar imediatamente um especialista para fazer o tratamento profilático e, principalmente, fazer o diagnóstico, definir e tratar a causa dessa dor, pois pode ser sinal de um grave problema que necessita de tratamentos.

            O segredo do tratamento é um bom diagnóstico para que se identifique exatamente qual o tipo de dor de cabeça e por que ela acontece.

            Uma boa dica é fazer atividades físicas regularmente, não passar muito tempo sem comer nada, evitar alimentos que provocam dor de cabeça e fazer exercícios de relaxamento.




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Crises Convulsivas

           Nosso cérebro contém bilhões de neurônios que se comunicam e exercem suas funções através da geração constante de impulsos elétricos. A crise convulsiva, ou crise epilética, surge quando ocorre um distúrbio na geração destes impulsos. Se este distúrbio elétrico ficar restrito a apenas um grupo de neurônios, o paciente apresentará uma crise convulsiva parcial. Se estes impulsos se espalharem, atingindo os dois hemisférios cerebrais, teremos, então, uma crise convulsiva genereralizada.

           As causas da convulsão podem acontecer devido:
- Febre alta (insolação e infecção);
- Infecções do cérebro (malária, raiva, meningite, sífilis, tétano, toxoplasmose, encefalite, etc);
- Distúrbios metabólicos (hipoparatireoidismo, níveis elevados de sódio ou açúcar na corrente sanguínea; níveis baixos de açúcar, cálcio, magnésio ou sódio no sangue; etc);
- Exposição a drogas ou substâncias tóxicas (álcool, anfetamina, cânfora, estricnina, overdose de cocaína, etc);
- Oxigenação insuficiente do cérebro (intoxicação por monóxido de carbono, afogamento parcial, sufocação parcial, fluxo sanguíneo inadequado para o cérebro, tumor cerebral, etc);
- Abstinência após utilização excessiva de algumas substâncias (álcool, medicamentos para dormir e tranquilizantes);
- Reações adversas a medicamentos de receita obrigatória;
- Outras doenças (eclampsia, encefalopatia hipertensiva e lúpus eritematoso).

           Durante a crise a pessoa pode apresentar várias alterações no organismo, que dependem da zona do cérebro onde se fez a descarga elétrica anormal das células do cérebro (neurônios). Alguns fatores para identificar a convulsão são:
- Agitação psicomotora;
- Olhar ausente;
- Os olhos podem ficar fixos na parte superior ou lateral;
- Perda da consciência, que pode causar uma queda desamparada;
- Espasmos musculares com movimentos de contração e flexão muscular, que podem ser suaves ou muito fortes;
- Aumento da produção de saliva;
- Fechamento da boca com muita força, com perigo de morder a língua e os lábios;
- Descontrole da urina e/ou fezes.

           
           Tipos de crise convulsiva 

           Quando falamos em crise convulsiva, convulsão ou ataque epilético, logo vem à nossa cabeça aquela assustadora imagem de um paciente se debatendo todo, babando, com os olhos revirados e com movimentos anárquicos dos membros. Na verdade, isto representa uma crise convulsiva generalizada, chamada de crise convulsiva tônico-clônica. É apenas um dos vários tipos de crise convulsiva existentes.

           As crise convulsivas (crises epiléticas) são divididas em dois grupos: crise convulsiva parcial e crise convulsiva generalizada.

a) Crise convulsiva parcial:

           A crise epilética parcial é aquela que ocorre quando os impulsos elétricos anômalos ficam restritos a apenas uma região do cérebro.

           É chamada de crise epilética parcial simples, aquela que ocorre sem alteração do nível de consciência do paciente. Os sintomas podem ser sutis e dependem da área cerebral afetada. Alguns sintomas que podem ocorrer na crise epilética parcial simples são:
 - Movimentos involuntários de parte do corpo
- Alterações sensoriais como do paladar, audição, visão ou olfato.
- Alucinações
- Alterações na fala
- Vertigens
- Sensação de estar fora do corpo

           Muitas vezes os sintomas destas crises parciais simples são tão sutis que o diagnóstico é difícil de ser pensado, até mesmo para o paciente. Às vezes são confundidos com doenças psiquiátricas.

           Na crise convulsiva parcial complexa o paciente normalmente apresenta comportamentos e movimentos repetidos tipo beijos, mastigações, andar em circulo, olhar fixo, ficar puxando a roupa, virar a cabeça para um lado e para o outro, esfregar as mãos, etc. Tudo de modo inconsciente. Às vezes, o paciente é capaz de obedecer ordens e consegue falar, porém, apresenta um discurso incoerente.

           A crise convulsiva parcial complexa costuma durar em média 1 minuto. Quando a crise termina, o paciente retoma a consciência mas costuma estar muito confuso, sem saber o que aconteceu. 

           As crises parciais podem anteceder uma crise epilética generalizada. Na verdade, o paciente pode começar com uma crise parcial simples, evoluir para uma crise parcial complexa e terminar com uma crise generalizada.

b) Crise convulsiva generalizada
               Na crise convulsiva generalizada, os dois hemisférios do cérebro são afetados. Uma das manifestações possíveis da crise epilética generalizada é a crise de ausência, também chamado de pequeno mal. Na crise de ausência o paciente perde contato com o mundo externo e fica parado com o olhar fixo. É possível haver alguns automatismos como picar de olhos repetidamente, como ocorre na crise parcial complexa. A diferença é que a crise de ausência é mais curta, dura cerca de 20 segundos, pode ocorrer dezenas de vezes ao longo do dia e o paciente não apresenta aura, nem está confuso ao final da crise. Às vezes, o paciente retoma a atividade que estava fazendo como se nada tivesse acontecido.

           Em pessoas com epilepsia, flashes luminosos repetidos ou hiperventilação (respirar rapidamente durante algum período de tempo) podem desencadear crises generalizadas do tipo ausência. Este tipo de crise é mais comum na infância, podendo desaparecer após a adolescência.

           O tipo mais conhecido de crise convulsiva, chamado também de ataque epilético ou grande mal, é a crise convulsiva tônico-clônica. É o quadro mais assustador. O paciente subitamente apresenta uma rigidez dos músculos e imediatamente cai inconsciente. Segue-se, então, movimentos rítmicos e rápidos dos membros. O paciente perde controle dos esfíncteres, podendo se urinar ou evacuar. É comum salivar e morder a língua durante a crise, o que pode provocar um espumamento avermelhado.

           A crises tônico-clônicas duram entre 1 a 3 minutos. Ao final, o paciente apresenta cefaléia, cansaço extremo, sonolência, confusão e amnésia, não lembrando do que ocorreu.

           Outro tipo de crise epilética generalizada é a crise convulsiva atônica. Se manifesta como uma súbita perda do tônus muscular, fazendo com que a pessoa caia. É muito curta, dura menos de 15 segundos, porém, devido às quedas, costuma causar traumatismo sérios.

c) Status epilepticus
               A maioria das crises convulsivas são auto-limitadas e não precisam de tratamento médico imediato. Chamamos de status epilepticus quando a convulsão não cede após vários minutos ou quando o paciente apresenta quadros repetidos de crise sem que tenha havido tempo dele recuperar a consciência entre os episódios. Há crises convulsivas que duram mais de 5 minutos podendo levar horas, são consideradas emergências, pois colocam o cérebro em risco, e devem ser tratadas com drogas para abortá-las.

d) Convulsão febril
               A convulsão febril ocorre normalmente em crianças entre seis meses e seis anos de idade (pico entre 1 ano e 1 ano e meio) que apresentam quadro febril acima de 38ºC. Apesar de ser um quadro assustador para os pais, é benigno e não causa lesões cerebrais na criança. É comum e ocorre em até 5% das crianças.

           Se a criança só tem convulsão quando está febril, ela não é considerada como portadora de epilepsia.

           O que desencadeia a convulsão é a febre, independente da sua causa. A crise pode ser parcial (mais comum) ou complexa, inclusive com crises tônico-clônicas. A convulsão febril costuma ser mais demorada do que as crises nas epilepsias. Podem durar até 15 minutos. Não se assuste se a criança apresentar fraqueza em um dos membros logo após o fim das crises. É temporário.

           Não adianta dar banho em água fria ou dar a criança varios anti-térmicos. Isso não impede o aparecimento das crises. Também não é necessário usar drogas anti-epiléticas. O quadro é benigno e os efeitos colaterais não justificam o seu uso.

           A convulsão febril não traz maiores complicações e desaparece com a idade. O ideal é sempre levar a criança ao pediatra após a crise para que ele possa investigar o motivo da febre e confirmar que se trata apenas de convulsão febril, e não de epilepsia.


           
              O que fazer ao presenciar uma crise convulsiva: 

           É importante manter a calma, pois a maioria das crises desaparece espontaneamente. Uma crise generalizada pode ser precedida por crises parciais, por isso é ideal deitar o paciente para evitar quedas e afastar objetos em que o paciente possa se bater. Não se deve tentar imobilizar os membros, e sim deixar o paciente se debater, procurando proteger a cabeça com uma almofada. Se estiver havendo sufocamento com a própria língua, não coloque a mão dentro da boca do paciente, pois ele pode contrair violentamente a mandíbula. Neste caso deve-se colocar a cabeça da pessoa de lado, de preferência mais baixa que o corpo, assim haverá a desobstrução das vias aéreas e ainda impedirá que ocorra um afogamento com a própria saliva ou vomito. Se a crise demorar mais que cinco minutos, leve-o para um pronto-atendimento. Após a crise é normal o paciente permanecer desacordado por algum tempo, coloque-o de lado e deixe-o dormir. Nunca de comida ou bebida logo após a crise, pois o paciente pode não conseguir engolir direito e correr o risco de aspirar o alimento.




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Quando consultar um neurocirurgião?


            A avaliação do neurocirurgião é sempre importante para descartar a possibilidade de tratamento cirúrgico de algumas doenças. Feito isso, o seguimento de algumas doenças pode ser realizado por outros especialistas como o neurologista, reumatologista, endocrinologista, otorrinolaringologista, entre outros.
            O neurocirurgião trata de diversas doenças que acometem o sistema nervoso central e periférico. Os sintomas neurológicos mais comuns são os que seguem:

• Dor de cabeça (cefaléia);
• Dores na coluna (lombalgia, cervicalgia...);
• Desmaios e crises epilépticas (epilepsia);
• Formigamentos (parestesias) e outras alterações da sensibilidade;
• Ferda de força (paralisias, plegia ou paresia);
Alterações visuais (perdas visuais, visão dupla, pontos luminosos) e alterações da fala (gagueira, afasia);
Alterações do estado mental (confusão, agitação), perda de memória;
• Tonturas, alterações do equilíbrio e marcha;
Movimentos involuntários (tremores, tics);
distúrbios do sono (falta de sono ou sono em excesso);
Déficit de atenção;
Alteração do humor (irritabilidade, depressão),
Ansiedades (medos, fobias, pânico, preocupações excessivas).
Traumatismo de crânio;
Traumatismo de coluna;
Tumores no Sistema Nervoso Central;
Hidrocefalia;
Disrrafismo medular (má formação da coluna e medula espinhal);
Doenças degenerativas da coluna e do cérebro (Alzheimer, doença vascular cerebral, Artrose da coluna);
Meningites;
Sinusites;
Acidente Vascular Cerebral (“derrames”);
Etc.


Dr. Aramis Pedro Teixeira - CRM 15844
INE - Instituto de Neurocirurgia Evoluir
(45) 3025-3585 / (45) 3029-3460 / (45) 9127-9630
Rua Almirante Barroso, 1293, sala 1601 - Foz do Iguacu
www.draramis.com

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Técnica do Procedimento da Punção Lombar


          A punção lombar é um procedimento médico que consiste na aspiração do Líquido Cefalorraquidiano da medula espinhal, através da utilização de uma agulha, para exame citológico e também para injeção de quimioterápicos. 

          A punção lombar tem sido considerada uma arma diagnóstica, pois o estudo do LCR retirado durante uma punção lombar pode dar muita informação sobre as doenças que afetam cérebro e a medula espinhal. É a análise mais importante para ter certeza do diagnóstico de doenças como: 

- Meningites: Infecções das meninges, muitas vezes ocasionada por bactérias;
- Encefalites: Infecções do cérebro, geralmente ocasionada por vírus;
- Vasculites: Inflamações dos vasos sanguíneos do cérebro;
- Hemorragia Subaracnoideia: Rompimento de um vaso sanguíneo intracraniano.


          Em alguns casos, é utilizada junto a outros exames para fazer o diagnóstico, como no caso da Síndrome de Guillain-Barré ( inflamação dos nervos que fazem mexer os braços e as pernas), esclerose múltipla e sacoidose. No caso da doença de Alzheimer, o Líquido Cefalorraquidiano ajuda a fazer o diagnóstico da doença. 


          Não há preparo específico para o exame do LCR. O paciente pode alimentar-se normalmente e não deve estar fazendo uso de medicação anticoagulante ou de drogas que interfiram na coagulação sanguínea.


          Na execução o paciente é deitado e colocado de lado, com o pescoço dobrado para baixo e as pernas encolhidas (posição fetal) ou também pode ser feito sentado com a cabeça abaixada. Em doentes obesos, o médico pode optar por colocar o doente em posição ereta. O mais importante é manter a coluna fletida para abrir o espaço entre as vértebras, para que a agulha entre sem dificuldades.  



          A pele do fundo das costas é desinfectada e é colocada uma pequena quantidade de anestésico local para anestesiar a pele e os músculos. Por vezes pode ser utilizada também anestesia nas veias, para adormecer o paciente. Em seguida o médico introduz uma pequena agulha que vai passar pelo espaço entre duas vértebras até chegar ao reservatório onde se acumula o LCR, que está situado no fundo da medula, não havendo perigo desta ser atingida. Depois de introduzida a agulha, é preciso deixar que o líquido saia naturalmente, gota a gota, para recipientes próprios.



          O líquido encefalorraquidiano drenado é colhido para um tubo esterilizado e enviado para análise. Após a coleta, o médico retira a agulha e é feito compressão no local. O líquido é enviado ao laboratório para exame citológico de forma a permitir ao médico determinar o diagnóstico.

          A quantidade de líquido retirado no exame é pouco o que não vai provocar alterações no cérebro e medula espinhal. Pode provocar dor de cabeça (cefaléia) por um curto período, infecção e hemorragia (sangramento). 


          A análise dos resultados obtidos no exame do LCR deve ser sempre feita em conjunto e tendo como base a sintomatologia apresentada pelo paciente.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Líquido Cefalorraquidiano (Líquor)



          O líquido cefalorraquidiano (LCR), Fluido cerebrospinal, ou Líquor, é um líquido claro e incolor que se encontra dentro do crânio e da coluna, no qual tanto o cérebro como a medula espinhal estão mergulhados. Age como um amortecedor para o Sistema Nervoso Central (SNC), tendo como função proteger o cérebro de agressões mecânicas, químicas e infecciosas, através de uma barreira hematoencefálica (impedindo que algumas substancias sanguíneas maléficas cheguem ao cérebro).

          O líquor é produzido continuamente por uma rede especializada de vasos capilares (minúsculos vasos sangüíneos) conhecidos como plexo coróide, localizados nos ventrículos (câmaras) do cérebro. É produzido a uma taxa aproximada de 20 mL por hora pelos plexos coroidais. Seu volume total é de 10 a 60 mL em recém-nascidos, e 100 a 150 mL no adulto.

          O cérebro é revestido por 3 meninges: dura-máter, a mais externa; aracnóide e pia máter, a qual se encontra aderida ao cérebro e vasos sanguíneos mais internamente. O liquido cefalorraquidiano se encontra em um espaço entre a pia máter e a aracnóide.

          O líquor, normalmente, flui através de fendas estreitas que comunicam todos os ventrículos entre si e se exteriorizam, no sistema nervoso central, por orifícios (forâmens) localizados no tronco cerebral. O LCR recobre a medula espinhal, circulando até sua parte mais inferior e retornando para ser absorvido nas vilosidades aracnoideas, que lançam o LCR na corrente sanguínea.

         Em termos de aparência e composição química, o LCR é semelhante ao plasma sanguíneo ultrafiltrado, quando normal se apresenta incolor como a água mineral.


          O exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) ou líquor vem sendo utilizado como arma diagnóstica desde o final do século XIX, contribuindo, significativamente, para o diagnóstico de patologias neurológicas. Constitui um método de grande valia para o diagnóstico e o acompanhamento de diversas afecções neurológicas, como meningites, encefalites, ventriculites, carcinomatose meníngea e algumas doenças desmielinizantes.

          Além disso, a análise do LCR permite o estadiamento e o seguimento de processos vasculares, infecciosos, inflamatórios e neoplásicos que acometem, direta ou indiretamente, o Sistema Nervoso. Através da punção liquórica é possível, também, a administração intra-tecal de quimioterápicos, tanto para tratamento de tumores primários ou metastáticos do Sistema Nervoso Central, como para a profilaxia do envolvimento neurológico de tumores sistêmicos.